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Sem produção de riqueza não há justiça social

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Por Paulo Cavalcanti 

 

Virou frase comum no Brasil afirmar que o assistencialismo é um “direito” porque “é o governo que dá”. A frase parece justa, quase generosa, mas carrega um erro grave, econômico, moral e social. Não existe fábrica de dinheiro no fundo do palácio presidencial. Nenhum governo, de esquerda ou de direita, cria riqueza do nada. O dinheiro não nasce em Brasília. Ele nasce do trabalho, da produção e do esforço diário da sociedade.

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O governo não produz riqueza. Ele apenas administra, bem ou mal, aquilo que a sociedade gera. Todo recurso usado em políticas públicas vem dos impostos pagos por todos nós. Está no pão, no gás, na luz, no remédio, no aluguel, no salário. Vem do trabalhador, do pequeno comerciante, do agricultor, do empreendedor, do informal que luta para sobreviver.

Quando essa realidade é ignorada, não se trata apenas de desinformação econômica. Trata-se de uma injustiça moral. Apaga-se o esforço coletivo, transforma-se solidariedade em obrigação cega, desestimula-se quem produz e cria-se a inversão mais perigosa: o governante passa a ser visto como benfeitor, enquanto quem produz e realmente paga a conta passa a ser tratado como vilão.

É assim que nasce a criminalização da classe produtiva. É assim que se destrói a autoestima de quem gera riqueza, emprego e imposto. O país passa a tratar quem trabalha como problema, e não como solução.

Receber ajuda quando se precisa é humano e legítimo. O erro está em negar a origem dessa ajuda. O erro está em esquecer quem paga a conta. Sem produção não existe justiça social. Sem trabalho não existe dignidade coletiva. Valorizar quem produz não é elitismo; é honestidade, maturidade social e gratidão. Enquanto o Brasil não entender isso, seguirá preso a ilusões confortáveis. E isso, gostemos ou não, é da nossa conta.

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