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Elegbapho agita o teatro negro durante o verão baiano

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O projeto ELEGBAPHO – Território Afrocênico de Celebração Negra retoma sua atuação no cenário teatral e dá início à fase de montagem do espetáculo com uma programação de atividades, incluindo o lançamento da Temporada Elegbapho no Zâmbia Podcast. Idealizada pelo ator e iluminador Nando Zâmbia, a iniciativa promove entrevistas especiais que valorizam existências negras e discutem a potência da celebração – tema central do novo solo do artista, que estreia em abril, em Alagoinhas e Salvador.

O episódio de estreiou no dia 04 de fevereiro, às 20h, com a participação do ogã e pesquisador do culto a Exu, Domingos Okanlewá, abordando a liberdade de viver a fé no Candomblé. Já o segundo programa, marcado para o dia 11 de fevereiro, recebe o deputado estadual do Paraná, Renato Freitas, em uma conversa sobre a presença negra na política. Ao todo, serão oito episódios exibidos sempre às quartas-feiras, às 20h, até o dia 25 de março.

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“Para celebrar a negritude e nosso inesgotável potencial, vamos conversar com expoentes negros e negras da religião, da política, do cinema, da segurança pública e de outras áreas, vislumbrando um horizonte possível de conquistas a serem celebradas”, explica o ator Nando Zâmbia, que desenvolve uma pesquisa voltada a iluminar outras perspectivas da história do povo negro, ampliando o entendimento para além da resistência. “Antes de resistir, nós existimos, temos nossas dores, mas também nossos amores, fé, trabalho, sonhos”, afirma.

Esta será a segunda temporada do Zâmbia Podcast e contará ainda com convidados como a cineasta gaúcha Camila de Moraes, o professor de teatro e policial militar Luide Prins, a vereadora de Alagoinhas Juci Cardoso, além do ator e produtor Anderson Danttas.

As entrevistas integram também o processo de pesquisa que fundamenta a dramaturgia do espetáculo Elegbapho, baseada no Teatro Preto de Candomblé – estética de formação de Nando Zâmbia, que integrou por duas décadas o Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA), ao lado da dramaturga Onisajé. Iniciado no Candomblé e para Exu, o artista explica que, no Axé, toda conquista deve ser celebrada, já que a celebração representa a paga de Exu, orixá da comunicação entre humanos e divindades. Nesse contexto, Elegbapho evoca Exu (Elegbara) para refletir sobre as perdas simbólicas quando a celebração é deixada de lado.

OFICINAS, CONVERSAS E BAILE

A Temporada Elegbapho no Zâmbia Podcast marca o início do processo de montagem do espetáculo, que também contará com oficinas e rodas de conversa ao longo do mês de março, em Salvador e Alagoinhas. As atividades serão conduzidas pelo ator Nando Zâmbia e pela dramaturga Onisajé, com acesso gratuito e vagas limitadas, disponibilizadas por meio de formulário a ser divulgado nas redes sociais do artista. Ainda em março, no dia 27, será realizado o Elegbaile, um baile black em celebração às artes e aos artistas negros, em alusão ao Dia Nacional do Teatro e do Circo.

A montagem de Elegbapho foi contemplada pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via PNAB, com recursos do Ministério da Cultura – Governo Federal.

SOBRE O PROJETO

Lançado em abril de 2025, o projeto marcou o início das comemorações pelos 25 anos de carreira de Nando Zâmbia e contou com apoio do programa Rumos Itaú Cultural. Em sua primeira etapa, desenvolveu um processo de pesquisa que incluiu entrevistas públicas em Salvador com nomes como o ator Sulivã Bispo, a artista da dança e psicoterapeuta Tânia Bispo, o coreógrafo e bailarino Zebrinha, a pós-doutora em Educação Mabel Freitas e a atriz gaúcha Vera Lopes, além de um mapeamento sobre a presença do orixá Exu e de iniciativas negras que merecem celebração na capital baiana.

SOBRE O ARTISTA

Nando Zâmbia é ator e iluminador formado pela Escola de Teatro da UFBA. Foi indicado ao Prêmio Braskem como ator revelação, em 2010, pela atuação no espetáculo “Dois Perdidos Numa Noite Suja”. Com o solo “Irumalé Ayê – Divindades na Terra”, circulou por países como Portugal, Itália, Alemanha e Grécia. Atuou em montagens como “Sirê Obá – A Festa do Rei” e “Oxum”, do repertório do NATA. Como iluminador, assina o desenho de luz de espetáculos como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, “Medeia Negra” e “Exu – A Boca do Universo”.

 

Foto: Divulgação

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