Mesmo sem que se consiga definir exatamente qual é o encanto que domina a avenida durante a pipoca do mestre Luiz Caldas no Carnaval de Salvador, o fato é que essa atmosfera especial reúne, ano após ano, uma multidão de foliões fiéis. Eles escolhem o pai da Axé Music para experimentar a festa em sua forma mais autêntica e vibrante.
Foi esse clima que voltou a tomar conta do circuito Campo Grande nesta quinta-feira (12), quando o artista dedilhou os primeiros acordes em sua guitarra marcante, abrindo oficialmente o Carnaval promovido pelo Governo do Estado. Aos poucos, admiradores do talento do multi-instrumentista foram se aproximando para cantar e pular ao som do músico que transformou a cena musical baiana.
Carnaval no chão
“A pipoca de Luiz Caldas é pra quem gosta do Carnaval de verdade, raiz, sem corda e sem frescura. É suar pulando ao som de Haja Amor, Magia, Odé e Adão, encontrar amigos no meio da multidão, ter a liberdade de curtir sem preocupação e a certeza de que todo mundo ali está pelo mesmo motivo: celebrar a música e a festa. Seguir Luiz é viver o Carnaval do jeito que ele nasceu, no chão, no ritmo, com sorriso no rosto e uma gelada na mão”, descreveu o folião João Paulo Rosa, 45 anos, que não abre mão de viver a apoteose da pipoca de Luiz.
Para a foliã Roberta Priori, 52 anos, acompanhar o artista é reviver a emoção de quando, aos 13 anos, escutou uma de suas canções pela primeira vez. “Eu era adolescente e me encantei pelo som de Luiz Caldas, pela vibração e energia dele, sempre fui muito fã. Ganhei uma gincana na escola, o nome da equipe era Magia, e o tema da equipe era a música Magia. Luiz tem uma representação muito grande na minha vida. Escuto as músicas dele o ano todo e não perco um Carnaval”, contou.
A amiga de Roberta, Marianna Martins, 49, também destacou a diversidade musical apresentada pelo cantor. “Diferente de outros artistas veteranos, Luiz traz para avenida uma gama de músicas incríveis, ele se reinventa, se recria na essência dele. Eu sou apaixonada. Não vai ter nunca um Luiz Caldas. Assim como nunca vai ter um Marais Moreira, um Armandinho, entende? Nunca. Eles são ícones”, realçou.
Para Luiz Caldas, que estreou no trio elétrico aos 16 anos, apesar das transformações pelas quais passou o Carnaval de Salvador, a pipoca permanece como a forma mais original de viver a festa. “Assim como o meu folião vem pra cá com a expectativa de viver o seu melhor Carnaval, eu também subo no trio com aquele mesmo frio na barriga de quando cantei para uma multidão pela primeira vez. Mas o nervosismo só vai até o primeiro acorde, depois a mágica acontece e tudo vira uma só alegria”, celebra o músico.
O artista volta a comandar sua pipoca nesta segunda-feira (16), às 19h45, no Circuito Barra-Ondina. A participação integra a programação oficial do Carnaval da Bahia 2026, com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), além de patrocínio da CAIXA e do Governo Federal, reforçando o incentivo ao turismo e o acesso gratuito à cultura na maior festa de rua do mundo.
Foto: André Fofano

