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Ambulantes relatam falta de estrutura, mudanças constantes e queda nas vendas no Carnaval de Salvador 2026

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No tradicional circuito do Campo Grande, um dos mais antigos e simbólicos do Carnaval de Salvador, a folia toma conta das ruas ao som dos trios elétricos e arrasta multidões durante os dias de festa. Entre blocos, pipocas e apresentações musicais, milhares de ambulantes também ocupam o percurso para garantir renda extra no período. No entanto, na tarde deste domingo (15), trabalhadores que atuam na venda de bebidas e alimentos relatam desafios enfrentados ao longo da festa, como questões estruturais, mudanças de localização e organização do espaço destinado às vendas.

“Faz 3 anos que eu trabalho como ambulante no Carnaval, mas já vou parar. Porque eles não dão estrutura, a gente dorme aqui, chove, não tem pra onde ir, se molha, os outros roubam a gente aqui, não tem lugar de guardar mercadoria, eles não dão apoio a gente, e nós dormimos no chão sujo”, disse o ambulante Ítalo Souza, em entrevista ao LapaNews.

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Apesar disso, ele reconhece que o período pode garantir algum retorno financeiro. “Durante o carnaval até que dá para se manter com o dinheiro que ganha, mas às vezes não vale a pena”. Ele também aponta a necessidade de melhores condições para armazenamento dos materiais. “Queríamos ter um lugar para guardar nosso isopor, porque eles só dão uma caixa mesmo, que é aonde a gente dorme, no papelão. Espero que no ano que vem melhore”.

Com oito anos de experiência na folia momesca, Lucrécia conta que decidiu se organizar apenas uma semana antes do início da festa. “No meu caso, eu sou desorganizada e resolvi me organizar para trabalhar aqui uma semana antes do Carnaval. Trabalho há 8 anos como ambulante nos Carnavais, e a experiência não é boa não, só é boa com a venda, mas é muito ruim que vem de fora que vem trabalhar aqui”, afirmou.

Sobre o movimento, ela compara com edições anteriores. “Em questão de bom movimento, ano passado foi melhor, esse ano está fraco. Algumas coisas desorganizadas como a questão do isopor também, que está dando sem a logo da Brahma”.

Ronaldo, vendedor de balas, também reforça a importância da preparação antecipada. “A preparação para o Carnaval é muito antes, pra já preparar tudo e começar as vendas. A meta é só ganhar dinheiro e investir, e todo ano eu venho curtir. Espero que no ano que vem eu trabalhe novamente”.

Para Tainá Santos, que trabalha com venda de cachorro-quente, a expectativa criada antes da festa nem sempre se concretiza. “Trabalhar durante o Carnaval é complicado, pois são muitos impasses. Antigamente, só quem trabalha fora do circuito tinha bastante espaço, hoje fica muito de fora onde a maior parte das pessoas passam, e ficamos de fora, e nos programamos pra uma coisa pra no final ser outra”, afirmou.

Ela também destaca o planejamento necessário para atuar com alimentos. “Quem trabalha com alimento vem se programando há muito tempo antes do Carnaval porque é um processo muito grande, questão de vigilância sanitária. Então a gente vem se programando antes direitinho pra quando chegar no dia, não ter o movimento que a gente espera, devido à falta de organização.”

 

Foto: Igor Negreiros

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