Com quatro músicas inéditas, o novo EP de Lucas Pizane oferece um olhar atual sobre Salvador ao unir pop, groove, pagodão e influências globais à cultura baiana. Batizado de “Veraneio”, o trabalho reúne composições próprias e transforma em som e narrativa temas como identidade, pertencimento, celebração e afeto. Para conferir o projeto, basta acessar https://youtube.com/playlist?list=PLbHXyHKUbuYgI_p4QonfGJGg3Z-sOy-4n&si=HiPKCfWH54ZiFYLs.
O EP nasceu de maneira espontânea. Sem a intenção inicial de construir um projeto fechado, o artista foi compondo até perceber que as faixas dialogavam entre si conceitualmente. “Eu não pensei em fazer um EP. Eu fui fazendo música. Quando vi o que eu tinha, entendi que aquilo era um projeto”, explica.
Com atmosfera solar, alto-astral e essência baiana, “Veraneio” surge como uma tradução musical do período mais vibrante do ano na cidade que Pizane escolheu para viver: Salvador. O trabalho constrói uma narrativa sensível e pulsante do verão, conectando referências globais a elementos locais. A capital baiana não aparece apenas como cenário, mas como personagem central e fonte criativa. Mais do que descrever a cidade, o EP transforma suas paisagens, ritmos, encontros e contrastes em linguagem sonora. Entre a orla e o centro, da praia ao asfalto, o artista cria um mapa musical contemporâneo que preserva suas raízes.
O projeto também estabelece uma ponte entre o regional e o internacional. Elementos do pop latino, do groove urbano e da música pop atual são incorporados como recursos para ampliar a identidade baiana, e não para apagá-la. Em “Veraneio”, tradição e modernidade caminham juntas, ganhando novas leituras, especialmente para o público jovem. A produção aposta em timbres quentes, batidas orgânicas e refrões marcantes, resultando em faixas pensadas tanto para a escuta individual quanto para momentos coletivos. Cada música funciona como um recorte do mesmo verão – ora mais intimista, ora mais dançante – sempre mantendo uma unidade estética.
Assim, “Veraneio” ultrapassa o formato tradicional de um lançamento musical e se aproxima de uma narrativa cultural. Fala sobre pertencimento, mas também sobre decisão. Sobre ficar, criar e construir a própria trajetória a partir do lugar de origem – ou daquele que se escolhe como lar.
A primeira composição do projeto foi “Queimadinha”, que se tornou o eixo conceitual do EP. A faixa retrata um dia no Porto da Barra, presta homenagem a Bell Marques e dialoga com a estética pop latina que domina o cenário internacional. A inspiração veio após o contato com uma música da artista espanhola Rosalía, quando Pizane percebeu que aquela sonoridade urbana poderia conversar com os ritmos da Bahia. “Aquilo me deu um estalo. Pensei: por que a gente não pode fazer isso aqui, com a nossa cara, com o nosso som, com a nossa história?”, conta.
“Banho de Mar”, que conta com participação da banda DH8, amplia essa proposta ao buscar sintetizar as diferentes camadas do verão soteropolitano. A canção transita entre momentos mais contemplativos e trechos de forte energia dançante. Já “Perigosa” aposta em uma pegada mais underground, explorando a sensualidade e o lado boêmio da cidade. Produzida por Rafinha RSQ, a faixa combina beats latinos e groove urbano, resultando em um pagodão pop com potencial comercial.
O EP inclui ainda “Rio Vermelho”, parceria com Majur, lançada no fim de janeiro de 2026. A música une romance, espiritualidade e cultura, funcionando como porta de entrada para o universo sonoro e conceitual de “Veraneio”.
Foto: @leonardo.mf

