Em celebração ao Mês do Teatro – que tem como data simbólica o Dia Internacional do Teatro, comemorado em 27 de março – o projeto Teatro para Todos volta à Bahia para sua segunda edição com uma programação gratuita de espetáculos em Feira de Santana e Salvador. A agenda prevê cinco dias de apresentações: nos dias 20 e 21 de março, no Teatro do Centro de Convenções de Feira de Santana, e entre 27 e 29 de março, na Praça Dois de Julho, no Campo Grande, em Salvador. A expectativa é reunir mais de 5 mil pessoas nas duas cidades.
A mostra reúne montagens da cena contemporânea do teatro baiano, além de um espetáculo premiado do teatro paulista, contemplando diferentes linguagens artísticas e públicos de várias idades. A curadoria é da atriz, pesquisadora e dramaturga Mônica Santana, que elaborou uma programação voltada para a diversidade estética. “A curadoria buscou reunir espetáculos com qualidade artística e capacidade de dialogar com diferentes públicos. A ideia é valorizar a pluralidade da cena contemporânea e convidar mais pessoas a viver a experiência do teatro”, afirma.
De acordo com Mônica, outro objetivo do projeto é aproximar o teatro de pessoas que raramente frequentam espaços tradicionais de apresentação. “Apostamos na força desse teatro que pode divertir, provocar riso e emoções, pensamento e vontade de transformação. Obras capazes de falar para gente de todas as idades e trajetos, especialmente para aqueles que não têm o hábito de frequentar os teatros”, destaca.
A iniciativa conta com patrocínio da Larco Petróleo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. “A Larco tem orgulho de apoiar iniciativas que ampliam o acesso à cultura e fortalecem a cena artística da Bahia. Como empresa baiana, entendemos que investir em projetos culturais também é contribuir para o desenvolvimento social do estado”, afirma Ana Paula Evangelista, diretora de Marketing da Larco.
Programação em Feira de Santana – Teatro do Centro de Convenções
20 de março (sexta-feira)
19h30 – Dionísia do Agreste
Inspirado nas obras Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e As Bacantes, de Eurípedes, o espetáculo se apresenta como uma “opereta drag” que narra o retorno triunfal de Dionísia à sua cidade natal para concretizar uma vingança. A montagem combina teatro musical, performance, poesia e dança em uma estética vibrante e queer, criando uma tragicomédia greco-baiana que revisita temas como desejo, poder e identidade.
21 de março (sábado)
16h – O Mundo das Minhas Palavras
Premiado com o Prêmio Braskem de Teatro, o espetáculo infantojuvenil propõe, de forma lúdica, uma reflexão sobre como as crianças constroem seu vocabulário e sua identidade. Com música, humor e interação com o público, a peça também convida a pensar sobre o papel dos adultos na formação de significados e na construção do discurso social e político das novas gerações.
20h – O Sapato do Meu Tio
Misturando drama e comédia a partir da linguagem do teatro físico e da palhaçaria, o espetáculo não verbal acompanha a relação entre um palhaço experiente – o Tio – e seu aprendiz – o Sobrinho. A história aborda rituais de passagem, memória e a transmissão de conhecimentos entre gerações, combinando poesia, sensibilidade e humor.
Programação em Salvador – Praça Dois de Julho (Campo Grande)
27 de março (sexta-feira)
19h – Buraquinhos ou o vento é inimigo do picumã
A peça narra a trajetória de um menino negro nascido e criado em Guaianases, na zona leste de São Paulo. Ao sair de casa para comprar pão no primeiro dia do ano, ele sofre uma abordagem policial que desencadeia uma jornada de sobrevivência por países da América Latina e da África. Com elementos de realismo fantástico, o espetáculo denuncia o genocídio da população negra.
28 de março (sábado)
15h – Dandara na Terra dos Palmares
Voltado ao público infantojuvenil, o espetáculo revisita a história ancestral a partir do princípio da Sankofa, refletindo sobre resistência, identidade e pertencimento. A narrativa acompanha Dandara, uma menina negra que enfrenta o racismo na escola e, impactada pela experiência, passa a rejeitar seu próprio nome e suas origens — até iniciar um processo de reconexão com sua ancestralidade.
19h – Namíbia, Não!
A obra apresenta um Brasil distópico no qual uma medida provisória determina que todos os cidadãos com ascendência africana sejam enviados de volta ao continente africano como forma de “corrigir” o erro histórico da escravidão. A história acompanha os advogados André e Antônio diante dessa situação absurda, levantando reflexões sobre racismo, identidade e pertencimento.
29 de março (domingo)
15h – Infinito
Misturando teatro e dança, o espetáculo infantojuvenil conta a história de Tayó, um menino muito ligado à avó. Após a morte dela, o personagem inicia uma jornada interior marcada por lembranças, ancestralidade e descobertas, refletindo sobre vida, morte e transformação.
18h – Candomblé da Barroquinha
A peça acompanha Marcelina, uma jovem abian que cresce participando das festas da roça e vive um dia de descobertas que revelam seu papel na preservação cultural e espiritual de sua comunidade. A narrativa transporta o público para o cotidiano do fictício Terreiro da Barroquinha e para a história do território simbólico onde o Candomblé floresceu na Bahia.
Todas as apresentações têm entrada gratuita, ampliando o acesso da população à produção cultural.
Sobre o projeto
O Teatro para Todos é uma iniciativa voltada à democratização do acesso às artes cênicas, promovendo apresentações gratuitas em espaços públicos e aproximando artistas e plateia. O projeto valoriza a diversidade da cena teatral brasileira e busca oferecer experiências culturais acessíveis para públicos de diferentes idades e trajetórias.
Foto: Victor Balde


