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“NOLT: o ‘novo velho’ e a velhice que a sociedade prefere não ver”

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Você já reparou que ultimamente as pessoas mais velhas estão cada vez mais ativas nas redes sociais, com mais energias que muitos jovens, viajando, fazendo trends virais, presentes na academia e com uma aparência mais jovem? Esse novo estilo de vida tem nome: NOLT. Esse termo é vem da sigla em inglês derivada da palavra News Older Living Trend (Nova forma de viver o envelhecimento)

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Essa ideia ganhou força nas redes sociais por conta da nova forma que os mais velhos estão encarando a velhice, as pessoas acima dos 60 anos estão cada vez mais ativas, criando mais independência e perdendo os traços dos avós dos anos 90/2000.

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Mas, apesar de parecer algo realmente positivo, esse conceito vem levantando críticas importantes.

 

Estilo de vida NOLT valoriza autonomia a traz qualidade de vida na velhice

O conceito de NOLT, propõe ao idoso uma nova forma de encarar o envelhecimento, e tem sido associado a uma série de benefícios para à saúde e ao bem-estar da população idosa.

A principal valorização está na autonomia. As pessoas que seguem esse estilo de vida conseguem manter uma rotina ativa, e acaba por ter uma maior independência para realizar atividades do dia a dia, o que contribui para uma melhor qualidade de vida.

Especialistas informam que essa nova forma traz um impacto positivo na saúde física e mental. A prática de exercícios, o convívio social e viver novas experiências ajudam a reduzir riscos de doenças, além de favorecer o equilíbrio emocional.

O NOLT também reforça a ideia de que envelhecer não significa interromper projetos. Pelo contrário, o conceito estimula a continuidade de planos, como estudar, trabalhar, viajar e desenvolver novos interesses, ampliando a sensação de propósito.

Na prática, o NOLT tem sido visto como um movimento que incentiva um envelhecimento mais ativo, saudável e integrado à sociedade, promovendo uma imagem mais diversa e dinâmica dessa fase da vida.

 

O debate começou quando esse “novo jeito de envelhecer” passou a virar um padrão ideal.

Segundo análises sobre o tema, esse modelo acaba:
  • Valorizando apenas quem envelhece com saúde, e tem uma aparência jovem e tem recursos;
  • Ignorando quem enfrenta as dificuldades reais e cotidianas da velhice.

Desigualdade influencia diretamente como brasileiros envelhecem

Nem todos envelhecem da mesma forma, e isso está longe de ser apenas uma forma de escolha de vida individual. Os especialistas apontam que os fatores sociais e econômicos têm um peso grande na forma como as pessoas chegam à velhice.

O financeiro, acesso à saúde, condições de moradia e o nível de desigualdade social ao longo de toda a  vida influenciam diretamente a qualidade do envelhecimento. Colocando em prática, isso significa que manter uma rotina ativa, com uma autonomia e bem-estar, como esses novos idosos vem apresentando através das redes sociais, não é uma realidade possível para todos.

Existem pessoas que não tiveram acesso a serviços básicos ou enfrentaram dificuldades financeiras ao longo da vida e que acabam por chegar à velhice com mais limitações de saúde e menos recursos para cuidados adequados.

O cenário expõe um contraste: enquanto uma parte dos ‘NOLT’S” cresce a valorização de um envelhecimento ativo e saudável, uma outra parte da população idosa ainda enfrenta muita dificuldade e desafios como serem portadores de doenças crônicas, terem dependência e dificuldade de ter um acesso digno a atendimento médico.

Diante disso, o debate sobre envelhecer no Brasil passa, necessariamente, por questões sociais mais amplas — e não apenas por escolhas pessoais.

 

 

Foto: Reprodução/ Freepik

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