O topo do futebol europeu continua pintado com as cores de Paris. Neste sábado (30), no gramado do Puskás Aréna, em Budapeste, o Paris Saint-Germain confirmou a sua dinastia continental ao vencer o Arsenal e conquistar o título da UEFA Champions League 2026. A vitória não apenas consagra um elenco que soube amadurecer diante das críticas, mas coloca o clube em uma prateleira raríssima: o PSG se tornou apenas o segundo time neste século a erguer a “Orelhuda” de forma consecutiva, igualando o lendário feito do Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Zinedine Zidane.
Se na temporada passada o título inédito veio embalado pelo choro de alívio e pela obsessão de tirar um peso das costas, a conquista deste ano em solo húngaro foi o triunfo da solidez e da mentalidade vencedora lapidada por Luis Enrique.
A quebra do feitiço e o espelho na história
Ganhar a Champions League uma vez é o sonho de qualquer gigante, mas mantê-la sob seus domínios no ano seguinte é uma das tarefas mais ingratas do esporte moderno. No século XXI, apenas o Real Madrid havia conseguido o feito de ser bicampeão em sequência, quando emendou uma sequência histórica de três títulos entre 2016 e 2018.
Times lendários como o Barcelona de Pep Guardiola, o Bayern de Munique de Jupp Heynckes e o Manchester City de decolagem tática falharam em defender a coroa. O PSG, tantas vezes ironizado por quedas emocionais no passado, mostrou que o fantasma foi enterrado de vez. Durante a campanha, o time deixou pelo caminho camisas pesadíssimas como Chelsea, Liverpool e Bayern, provando que o novo patamar do clube não é temporário.
O amadurecimento após a tempestade
Quem vê a festa em Budapeste mal consegue lembrar que o início de 2026 foi turbulento para os parisienses. Em fevereiro, o vestiário enfrentou ruídos públicos, cobranças duras de lideranças como Ousmane Dembélé por mais “trabalho coletivo” e uma eliminação precoce na Copa da França.
Em vez de desmoronar, o grupo fechou fileiras. Luis Enrique usou a juventude e a versatilidade de nomes como o brasileiro Lucas Beraldo para oxigenar a equipe, blindou o elenco e focou no que realmente importava. O resultado? O título antecipado da Ligue 1 e, agora, a glória eterna na Hungria, deixando o Arsenal de Mikel Arteta mais uma vez no quase em sua busca pelo troféu inédito.
Paris não é mais apenas a cidade da luz ou das grandes contratações milionárias que não se traduziam em taças. Hoje, com o peso de dois títulos seguidos no peito, o PSG consolida sua identidade como o verdadeiro dono da Europa.

