Dizem que o futebol é um esporte de roteiros imprevisíveis, e o duelo entre Bahia e Botafogo na tarde deste sábado, pela 18ª rodada do Brasileirão, foi a prova viva disso. Diante de uma Arena Fonte Nova pulsante e sob chuva, o que parecia uma noite de gala e afirmação para o Glorioso terminou em um gosto amargo de frustração, enquanto o Tricolor de Aço celebrou o fim de um incômodo jejum de oito partidas sem vencer com uma virada heroica por 2 a 1.
O início da partida deu a impressão de que o Botafogo atropelaria. Logo aos seis minutos de jogo, o jovem volante Huguinho, que ganhou a vaga de titular no meio-campo, protagonizou um lance de pura inspiração: dominou de longe e soltou um chute espetacular que entrou direto no ângulo do goleiro Ronaldo. Um verdadeiro golaço para colocar os visitantes em vantagem e ditar o ritmo em Salvador.
O Alvinegro era melhor, criava oportunidades com Montoro e parecia ter o controle absoluto da situação. Porém, o descontrole emocional mudou o destino do confronto ainda na primeira etapa.
O cartão que mudou a história
O clima tenso e o excesso de cartões distribuídos pelo árbitro Davi de Oliveira Lacerda culminaram em um erro fatal nos acréscimos do primeiro tempo. O experiente goleiro Neto, do Botafogo, que vinha fazendo boas defesas, se envolveu em uma discussão pesada com a arbitragem após uma marcação de atraso na reposição de bola. O resultado foi drástico: cartão vermelho direto.
Com um jogador a menos e a necessidade de recompor o gol com o reserva Raul Steffens, o técnico Franclim Carvalho foi obrigado a recuar o time. O Bahia, sob o comando de um pressionado Rogério Ceni, sentiu o cheiro de sangue e voltou do intervalo disposto a tudo. Ceni mexeu no time, colocando Everaldo e Everton Ribeiro para empurrar o Botafogo contra a parede.
A insistência baiana e o castigo nos acréscimos
A resistência carioca começou a ruir aos 11 minutos do segundo tempo, e da forma mais dolorosa possível. Em uma jogada infeliz, o zagueiro alvinegro Nahuel Ferraresi tentou cortar e acabou jogando contra o próprio patrimônio, decretando o empate bizarro na Fonte Nova.
A partir dali, o jogo virou um teste de ataque contra defesa. O Botafogo se desdobrava como podia para segurar o empate que, diante das circunstâncias, já seria valioso. Mas o futebol pune a falta de capricho. Quando o relógio já marcava 45 minutos da etapa final, após insistente pressão, Ademir encontrou David Duarte livre na área. O defensor não perdoou e estufou as redes, sacramentando a virada tricolor para explosão de alívio da torcida baiana.
Com o resultado de 2 a 1, o Bahia dá um salto para a 6ª posição, respira na tabela com 26 pontos e ganha tranquilidade na interrupção do campeonato. Já o Botafogo, estacionado nos 22 pontos, vai para a pausa da Copa do Mundo lamentando profundamente uma noite onde seus próprios erros custaram três pontos valiosos.

