O preço do botijão de gás voltou a subir em Salvador e Região Metropolitana. O reajuste entrou em vigor nessa segunda-feira (1º), após a Refinaria de Mataripe anunciar um aumento de 9,6% no valor do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) vendido às distribuidoras.
Segundo a Acelen, empresa responsável pela refinaria, os preços seguem critérios de mercado e levam em consideração fatores como o valor internacional do petróleo, a variação do dólar e os custos de transporte. A empresa informou ainda que sua política de preços é baseada em critérios técnicos e alinhada às práticas do mercado internacional.
Na prática, quem sente o impacto é o consumidor. De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (Sinrevgas), o reajuste deve provocar um aumento entre R$ 8 e R$ 10 no preço final pago pela população.
Antes do reajuste, o preço médio do botijão de 13 quilos em Salvador era de aproximadamente R$ 130 para retirada na revendedora e R$ 148 para entrega em domicílio. Com o aumento, os valores podem chegar a cerca de R$ 138 a R$ 140 na retirada e até R$ 158 na entrega, dependendo da região e dos custos operacionais de cada estabelecimento.
O presidente do Sinrevgas afirma que esse já é o quarto reajuste registrado no gás de cozinha somente este ano, cenário que preocupa tanto os empresários quanto os consumidores.
Além do impacto direto no orçamento das famílias, o sindicato também demonstra preocupação com a continuidade do programa Gás do Povo, voltado para beneficiários de programas sociais.
Segundo a entidade, os valores atualmente repassados pelo governo aos revendedores não seriam suficientes para cobrir os custos da operação. A consequência, segundo o sindicato, é que parte das empresas já deixou de aderir ao programa e outras estudam se descredenciar.
Nas ruas, o novo aumento gerou reclamações e preocupação entre os consumidores.
A auxiliar administrativa Carla Alves, de 43 anos, conta que o gás já pesa bastante nas despesas da casa.
“Todo mês a gente vê alguma coisa aumentando. Quando não é a feira, é a conta de luz ou o gás. Cada reajuste faz diferença porque o salário continua o mesmo e as despesas só crescem.”
O motorista por aplicativo Antônio Silva, de 49 anos, afirma que a situação obriga as famílias a reorganizarem o orçamento.
“A gente acaba cortando alguma coisa para conseguir manter as contas em dia. O gás é um item essencial, não tem como deixar de comprar.”
Já a diarista Martha Conceição, de 38 anos, diz que o aumento afeta principalmente quem vive com renda apertada.
“Tem muita gente que já está fazendo malabarismo para fechar as contas. Quando o gás aumenta, todo mundo sente porque é uma despesa que não dá para evitar.”
Entre os revendedores, a preocupação também é grande.
Um empresário do setor, que preferiu não se identificar, afirma que os aumentos frequentes dificultam a relação com os clientes.”Muitas vezes o consumidor pensa que é a revendedora que está aumentando o preço, mas a gente também recebe os reajustes e precisa repassar parte desses custos para continuar funcionando.”
O revendedor Carlos, que atua em Salvador há mais de dez anos, relata que a procura costuma cair sempre que há aumento.”Quando o preço sobe, muita gente tenta adiar a compra por alguns dias ou procura promoções. O problema é que os reajustes estão acontecendo com frequência e isso acaba afetando todo o mercado.”
Especialistas do setor explicam que o preço do gás acompanha fatores econômicos internacionais. Como o petróleo é uma commodity negociada globalmente, oscilações no mercado externo, além da valorização do dólar e dos custos logísticos, acabam influenciando o valor final do produto no Brasil.
Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

