O Brasil vive um surto de influenza com crescimento expressivo de internações e mortes pela doença, enquanto a cobertura vacinal contra a gripe segue muito abaixo do esperado. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 35,96% do público prioritário foi vacinado até agora — índice muito distante da meta de 90%.
De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (5), 15 estados e o Distrito Federal apresentam cenário de alerta, risco ou alto risco para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente devido ao avanço da influenza A.
Especialistas ouvidos pela imprensa confirmam que o país enfrenta um surto significativo. “Sem dúvida estamos vivendo uma temporada importante de influenza este ano, com muitas hospitalizações”, afirmou Renato Kfouri, infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
O infectologista Celso Granato, do Grupo Fleury, também observa que os casos começaram mais cedo, ainda em maio, e se espalharam por todo o país, contrariando a tendência histórica de concentração no Sul e Sudeste.
Estados em alerta
O surto atinge principalmente as regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Os estados com maiores índices de incidência nas últimas duas semanas são:
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Acre
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Alagoas
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Bahia
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Goiás
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Maranhão
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Minas Gerais
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Mato Grosso
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Paraná
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Paraíba
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Rio de Janeiro
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Rio Grande do Sul
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Roraima
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Santa Catarina
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São Paulo
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Sergipe
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Distrito Federal
Vacinação abaixo do ideal
O grupo com maior cobertura vacinal até o momento são os idosos, com 38,83%. Já as crianças somam 30,5% e as gestantes, apenas 23,35%. Em estados como Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Mato Grosso e Pernambuco, os índices ficam em torno dos 30%.
Com o avanço dos casos e a baixa procura, algumas capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, já ampliaram a vacinação para toda a população.
Por que os casos aumentaram?
Segundo especialistas, três fatores contribuem para a disseminação do vírus:
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Mutação do vírus influenza, que pode ter aumentado a transmissão e agressividade da doença.
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Alterações climáticas, com clima mais seco do que o normal em várias regiões.
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Baixa cobertura vacinal, facilitando a circulação do vírus.
“A vacinação é essencial para proteger os grupos de risco e conter o avanço do vírus. A gripe pode matar, e estamos vendo isso claramente nos dados de internação e mortalidade”, alerta Renato Kfouri.
O boletim da Fiocruz aponta que, nas últimas quatro semanas, cerca de 75% das mortes por SRAG foram causadas por influenza A ou B. O apelo dos infectologistas é claro: vacinar-se o quanto antes é a principal forma de conter o surto.

