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Apáxes do Tororó reafirma raízes indígenas e afro-brasileiras no Carnaval 2026

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Com quase seis décadas de história, o Bloco Apáxes do Tororó se prepara para voltar ao Carnaval de Salvador em 2026 em um momento definido como de retomada, fortalecimento e ampliação de público. Criado em 1968, o bloco carrega raízes indígeno-pindorâmicas e afro-brasileiras e é reconhecido como um dos símbolos de resistência cultural das periferias da capital baiana.

Em entrevista ao LapaNews, Luiz Guimarães, coordenador de produção do Bloco, explica que o Apáxes atravessou, ao longo de sua trajetória, períodos marcados por perseguições policiais, preconceito social, silenciamentos institucionais e falta de recursos, mas manteve sua atuação como espaço de afirmação identitária e mobilização política dentro da maior festa popular do país. “O APÁXES DO TORORÓ é um bloco carnavalesco de profundo peso histórico em Salvador e Bahia, com raízes Indígeno-Pindorâmicas e Afro-Brasileiras e papel de resistência cultural”, afirmou.

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Segundo ele, o bloco sempre esteve ligado ao território do Tororó e à celebração dos povos originários, dialogando com a negritude e a cultura popular que atravessa o cotidiano da cidade. “Sua presença conecta o antigo bairro do Tororó à memória indígena e negra que moldou Salvador”, destacou. Ao mesmo tempo, o projeto atual busca alcançar novos públicos e espaços, ampliando sua presença para além dos setores tradicionalmente ligados à militância cultural.

Para viabilizar o desfile de 2026, o Apáxes lançou uma campanha de financiamento coletivo. A ação tem como objetivo garantir a participação de representantes de 11 comunidades indígenas dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas no desfile marcado para o dia 15 de fevereiro de 2026. “Esta vaquinha é para garantir que os parentes pertencentes 11 comunidades espalhadas pelos estados de Alagoas, Sergipe e Bahia, estejam presentes em corpo, canto e ritual, sem que a falta de recursos impeça ninguém de participar. Numa luta por reparação histórica, política e cultural”, explicou Luiz Guimar.

A expectativa para o Carnaval 2026 é marcada pela união entre tradição e inovação. O bloco contará com uma parceria com Carlinhos Brown e com a produção do multiartista Caboclo de Cobre, em um encontro que busca ampliar o alcance do Apáxes e dialogar com diferentes segmentos da sociedade. “Essa parceria entre Carlinhos Brown e Apáxes combina duas forças complementares”, pontuou Luiz, ao destacar que o projeto pretende criar pontes entre ancestralidade e linguagem urbana, ritual e contemporaneidade.

Para este ano, o bloco homenageia Carlinhos Brown, apontado como figura estratégica para a ampliação de público e fortalecimento simbólico do projeto. “Esse encontro ultrapassa a noção de espetáculo ou espaço de festa: é uma plataforma de diálogo entre raiz e futuro”, afirmou.

A relação com os povos indígenas permanece como eixo central do Apáxes. Luiz Guimar ressalta que a presença indígena sempre fez parte da construção do Carnaval e da própria história do bloco. “O carnaval, historicamente, também foi formado por contribuições e mãos indígenas”, disse. Ele lembra que, desde a década de 1960, o Apáxes acolheu indígenas de diversas etnias residentes em Salvador e manteve conexões com comunidades do Nordeste, como a Aldeia Kiriri do Saco dos Morcegos, em Banzaê (BA), o povo Pataxó do Extremo Sul da Bahia e o Coletivo Wetçamy, de Palmeiras dos Índios (AL).

Em 2026, a diretoria do bloco estabeleceu como prioridade o apoio às pautas dos povos indígenas da Bahia, com a presença confirmada de lideranças no trio. “Teremos no nosso trio a presença de lideranças como Patrícia Pataxó-Superintendente dos Povos Indígenas da Bahia, Luciano Mandú-Coordenador Zona Leste pelo MUPOIBA, Cacicas, Caciques e lideranças de 03 estados do nordeste”, destacou. O bloco também promove uma campanha de gratuidade de abadás para indígenas residentes em Salvador.

Além do desfile no dia 15 de fevereiro, com saída do Campo Grande às 15h, o Apáxes planeja outras ações culturais durante o Carnaval. No dia 17 de fevereiro, está previsto um show na Praça Pedro Arcanjo, no Pelourinho, com a Banda Cabokaji e a MC UDI Santos.

Os projetos futuros incluem a recriação da Banda Apáxes e da Banda Curumins Apáxes, a gravação do primeiro EP do bloco, o fortalecimento de ações sociais, a busca por patrocínios para a reforma do barracão-sede, a compra de novos instrumentos e a estruturação das áreas administrativa, de comunicação e captação de recursos. “Projeto esse que visa a criação de um show tradicional do bloco, manutenção e vendas do show apresentado em parceria com a Banda CABOKAJI”, concluiu Luiz Guimar.

 

Foto: Divulgação

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