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Pesquisa de preços de materiais escolares deve ser intensificada pelos pais

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O período de compras para a volta às aulas movimenta cifras bilionárias no Brasil e, em 2026, esse fluxo deve ser ainda mais intenso. Estimativas da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares apontam que o investimento das famílias em material escolar pode ultrapassar R$ 53 bilhões neste ano, impulsionado por um crescimento projetado entre 3% e 6% em relação ao ano anterior. Esse cenário nacional ajuda a explicar por que, mesmo em Salvador, pais e mães já começaram a circular pelas papelarias com atenção redobrada, não exatamente por medo de preços mais altos, mas pela necessidade de pesquisar com cuidado diante das diferenças de valores entre lojas.

Dados do setor indicam que 2025 encerrou com um volume de compras acima de R$ 51 bilhões em papelarias e livrarias em todo o país. A expectativa para 2026 é de novo avanço, resultado de fatores como inflação acumulada, custos de produção, variação do dólar e despesas logísticas. Esses elementos pesam diretamente sobre o bolso das famílias e fazem com que os gastos com material escolar tenham impacto direto no orçamento de cerca de 85% dos lares brasileiros.

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Em Salvador, porém, o cenário observado nas primeiras semanas de janeiro é de relativa estabilidade. Nas principais lojas de material escolar espalhadas pelo Centro da cidade, especialmente na avenida Joana Angélica e em ruas tradicionais do comércio, consumidores relatam que os preços, até o momento, ainda não apresentaram aumentos significativos em relação ao ano passado. A percepção predominante é de que este é um bom momento para iniciar as compras, justamente para evitar a possibilidade de reajustes mais à frente, quando a demanda tende a crescer.

Mesmo sem altas generalizadas, o que chama atenção é a diferença de valores entre estabelecimentos. Um mesmo item pode custar pouco em uma papelaria e bem mais caro em outra, dependendo da marca, da localização da loja e da política comercial adotada. Essa oscilação, já identificada em levantamentos realizados em outras capitais do país, reforça a importância da pesquisa antes de fechar a compra.

“Eu fui em três lojas só para comparar. Não achei nada mais caro do que no ano passado, mas encontrei preços bem diferentes para os mesmos produtos”, relata Mariana Souza, mãe de dois alunos da rede particular. Segundo ela, a estratégia tem sido anotar os valores e voltar apenas às lojas onde o custo-benefício parece melhor. “Quando a gente soma tudo da lista, qualquer diferença faz peso no final”, diz.

O autônomo Carlos Oliveira, pai de um estudante do ensino fundamental, compartilha da mesma impressão. “Os preços estão parecidos com 2025, mas variam muito de uma papelaria para outra. Quem compra na primeira loja que entra pode acabar pagando mais sem perceber”, afirma. Para ele, o segredo está em não ter pressa. “Ainda estamos no começo das compras, então dá para olhar com calma.”

Além da pesquisa de preços, outra estratégia ganha força entre as famílias: o reaproveitamento do material escolar do ano anterior. Levantamentos nacionais indicam que cerca de 80% dos brasileiros pretendem reutilizar itens que ainda estão em bom estado, reduzindo a lista de compras e, consequentemente, os gastos. Em Salvador, essa prática aparece de forma espontânea nos relatos dos pais.

“Tem muita coisa aqui em casa que dá para usar de novo. Estojo, mochila, lápis de cor quase novos. Não vejo motivo para trocar tudo”, conta Ana Paula Costa, mãe de três crianças e professora. Ela explica que só substitui o que realmente acabou ou não tem mais condições de uso. “É economia, mas também é consciência.”

Para o comércio, a volta às aulas segue sendo o período mais importante do ano. Em diversas cidades do país, papelarias e livrarias reforçam o estoque e ampliam as equipes para dar conta da demanda, movimento que também se reflete, ainda que em menor escala, no varejo soteropolitano. O setor avalia que, mesmo com consumidores mais cautelosos, o volume de compras deve se manter elevado, justamente por se tratar de um gasto considerado essencial pelas famílias.

Especialistas do setor avaliam que, embora os gastos totais tendam a crescer em 2026, isso não significa que todos os produtos estejam automaticamente mais caros. O cenário aponta para um consumidor mais atento, que compara, reaproveita e escolhe melhor onde comprar. Em Salvador, esse comportamento já é visível nas papelarias, onde clientes circulam, perguntam preços, anotam valores e deixam a compra para depois. Diante desse contexto, algumas orientações ajudam a atravessar o período de compras com mais equilíbrio financeiro.

 

Tribuna da Bahia 

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