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Retorno às aulas: especialista explica como ajudar crianças na adaptação emocional e à rotina

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O retorno às aulas representa um período de mudanças significativo tanto para as crianças quanto para suas famílias. Depois de dias com horários mais livres, ritmo desacelerado e menos compromissos fixos, a retomada da rotina escolar demanda atenção, planejamento e cuidado. De acordo com a psicanalista Larissa Machado, diretora do Colégio São Paulo, unidade Tempo de Criança, atitudes simples adotadas antes do início do ano letivo e nas primeiras semanas de aula podem influenciar diretamente o equilíbrio emocional e a adaptação das crianças ao novo ritmo.

“Quando essa preparação acontece, a criança tende a apresentar maior capacidade de autorregulação, menos irritabilidade, melhor adaptação às mudanças e mais disponibilidade psíquica para aprender, se relacionar e lidar com frustrações. A previsibilidade do cotidiano reduz níveis de estresse, favorece a sensação de segurança interna e contribui para transições mais suaves, tanto no ambiente familiar quanto nos contextos sociais e escolares”, ressalta.

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Antes do começo das aulas, a orientação é que a adaptação seja feita de forma gradual, com ajustes progressivos nos horários de dormir e acordar, evitando alterações bruscas que possam afetar o corpo e a mente. Também é indicado reorganizar a rotina diária, estabelecendo momentos para refeições, banho, pequenas responsabilidades e descanso. Conversar com a criança sobre o retorno à escola – incluindo temas como colegas, professores e atividades – contribui para a construção de expectativas e para o reconhecimento das emoções envolvidas. Além disso, envolvê-la nos preparativos, como a organização do material escolar, da mochila, do uniforme ou do espaço de estudos em casa, reforça a sensação de pertencimento e segurança.

Nas primeiras semanas do período letivo, manter horários regulares de sono é fundamental para o aprendizado, a concentração e o equilíbrio emocional. É importante respeitar o tempo individual de adaptação, já que algumas crianças podem apresentar sinais de cansaço, maior sensibilidade ou irritação. Reduzir a carga de atividades extras nesse início ajuda a manter um ritmo mais saudável, assim como garantir momentos de escuta e presença ao longo do dia, especialmente em conversas ao final da rotina escolar, permitindo que a criança elabore suas vivências e se sinta acolhida.

A retomada da rotina funciona como um fator de segurança emocional. Saber o que vai acontecer, em que sequência e em quais horários contribui para que a criança se sinta mais organizada internamente. Ainda assim, é importante destacar que estabelecer uma rotina não significa impor rigidez excessiva, mas sim oferecer estrutura de forma afetuosa e progressiva. “Uma rotina bem construída favorece a autonomia, a segurança emocional e cria condições para que a criança esteja mais disponível para aprender, se relacionar e crescer”, conclui Larissa Machado.

 

Foto: Freepik

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