O turismo excessivo é hoje um dos principais desafios para o setor. O termo se refere aos destinos que recebem mais pessoas do que a própria infraestrutura suporta. Entretanto, algumas ilhas ao redor do mundo vão na contramão, tornando o acesso controlado e, em alguns casos, até impossível.
O CNN Viagem & Gastronomia selecionou ilhas que fogem do turismo excessivo ao longo do ano, seja pelo isolamento geográfico, por restrições de acesso ou por propostas que vão ao encontro do ultraluxo. Conheça os locais:
1. Palmarola (Itália)

A ilha italiana de Palmarola fica tão perto de Roma que pode ser visitada em um bate e volta, mas é suficientemente distante para que a agitação da capital pareça de outro planeta. Este é um paraíso sem estradas, sem sinal de celular e quase sem turistas.
Enquanto os fóruns, fontes e praças de Roma atraem milhões de visitantes, Palmarola permanece praticamente ausente dos roteiros turísticos. Há apenas uma praia, uma rede de trilhas e um restaurante, que serve peixes e aluga um número limitado de quartos básicos esculpidos em antigas grutas de pescadores.
Para chegar à ilha partindo de Roma, é necessário pegar um trem até o porto de Anzio, uma balsa até Ponza e depois negociar com um pescador ou proprietário de barco particular para conseguir transporte nos dois sentidos. Sem moradores permanentes, Palmarola é um destino mais moldado pelo clima, geologia e estações do ano do que pelo turismo. Atualmente, a ilha é de propriedade privada, dividida em várias parcelas pertencentes a famílias que ainda residem em Ponza.
2. Tabarca (Espanha)

A cerca de 800 quilômetros a sudoeste de Palmarola, a ilha espanhola de Tabarca tem mais gatos do que pessoas. O local fica em frente à cidade de Alicante e transborda magia mediterrânea, mas, ao contrário de suas vizinhas Maiorca, Menorca, Ibiza e Formentera, permanece um segredo bem guardado.
Ali vivem, de forma permanente, cerca de 50 pessoas – o que faz de Tabarca a menor ilha habitada da Espanha. E o que falta em tamanho sobra em patrimônio natural e cultural. Seu isolamento preservou a paisagem da especulação imobiliária que transformou trechos vizinhos da Costa Blanca.
Visitantes estrangeiros representam cerca de 80% a 90% do total de turistas que chega à ilha, mas a maior parte é excursionista e fica ali apenas um dia. As visitas são sazonais: no inverno, os visitantes são raros. No auge do verão, porém, o número aumenta para seis ou sete mil por dia. Para atender a população e os visitantes, há cerca de 20 pequenos negócios locais.
3. Ilhas Molucas (Indonésia)

Na Ásia, a região das “Ilhas das Especiarias”, no leste da Indonésia (agora conhecidas como Ilhas Molucas) era praticamente desconhecida para viajantes do mundo todo até duas décadas atrás. Agora, expedições de luxo para a região atraem viajantes em busca de aventuras marítimas novas e incomuns, complementadas por comodidades modernas e sofisticadas.
A maioria desses cruzeiros também inclui viagens para regiões vizinhas como Raja Ampat, que é frequentemente chamada de “o último paraíso na Terra”.
Repletas de uma biodiversidade surpreendente, as ilhas oferecem uma verdadeira sensação de isolamento que só pode ser explorada de barco.
4. Poveglia (Itália)

Em Veneza, na Itália, a ilha de Poveglia passou a ter uso concedido aos moradores desde agosto de 2025. O plano é transformar o espaço em um parque urbano, mas de acesso exclusivo aos residentes da cidade. A ilha fica somente a cinco quilômetros da Praça de São Marcos e tem fama de mal-assombrada, marcada por um passado sombrio como local de quarentena durante a peste bubônica e sede de um antigo asilo.
Em 2014, o governo italiano colocou a ilha em uma lista de propriedades disponíveis para leilão. Vários consórcios chegaram a arrecadar fundos para comprá-la, incluindo um grupo ligado ao atual prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, que reuniu 513 mil euros (cerca de R$ 3,2 milhões), mas não obteve a aprovação do Estado.
Preocupada com a possibilidade da ilha ser vendida a investidores privados, a moradora Patrizia Veclani criou o movimento Poveglia per Tutti (“Poveglia para Todos”), com o objetivo de preservar essa e outras áreas que estivessem sob risco semelhante. O grupo, que hoje reúne mais de 4.500 membros, arrecadou 460 mil euros (cerca de R$ 2,9 milhões) e garantiu o direito de uso da ilha.
Estima-se que Veneza receba cerca de 30 milhões de visitantes por ano, número que supera em muito a população local das redondezas históricas, inferior a 50 mil habitantes. Medidas como a proibição de cruzeiros e taxa a partir de 5 euros para turistas de um dia têm buscado limitar o fluxo.
5. Laucala (Fiji)

Outra ilha bastante exclusiva é Laucala, em Fiji, que faz parte de uma sub-região chamada de Melanésia, no sudoeste do Oceano Pacífico. Pequena, a ilha privativa tem 12 quilômetros quadrados e promove estadias de ultraluxo. O local tem praias paradisíacas, floresta tropical e altas doses de privacidade com o resort COMO Laucala Island, de apenas 25 vilas e com duas chaves Michelin – no momento, as operações estão temporariamente pausadas.
Laucala é equipada com uma pista para jatos e recebe voos privados e charter da cidade de Nadi, localizada na ilha de Viti Levu. O trajeto tem duração de 50 minutos. As acomodações do resort ultrapassam os 800 metros quadrados e ficam em diferentes cenários: no topo de colinas, suspensas sobre a água ou em meio às árvores. Inspirada nos arredores, a arquitetura usa madeiras naturais e texturas orgânicas.
Fonte: CNN Brasil
Foto: Lamima

