Salvador vem consolidando sua imagem como uma cidade cada vez mais adepta da corrida de rua. Eventos como a Corrida 100% Você, a Corrida do Esporte Clube Vitória e a Corrida do Esporte Clube Bahia ilustram o crescimento das provas na capital. Além de promover saúde e qualidade de vida, a modalidade também tem fortalecido a economia e projetado o município como destino de turismo esportivo.
Segundo o diretor técnico da Federação Baiana de Atletismo, Assis Júnior, “o turismo esportivo movimenta Salvador o ano todo. Hoje, a cidade realiza de duas a quatro corridas por final de semana, cada uma atraindo cerca de 10 mil participantes e ainda mais pessoas que vêm assistir ou apoiar os corredores. Isso impacta diretamente o turismo e a economia local”. A declaração foi concedida à Agência Salvador em 2024.
Muito além da largada e da chegada dos atletas, a realização de uma corrida exige planejamento detalhado, organização criteriosa e cumprimento de exigências legais para garantir segurança e retorno financeiro à cidade.
Com quase 20 anos de atuação na área de saúde e bem-estar, o profissional de educação física Felipe Chokito, diretor da assessoria Runners Club, explica que a regularização do evento e a busca por patrocinadores e parceiros comerciais estão entre os principais entraves na preparação de uma prova em Salvador. Ele ressalta ainda que todo o processo pode levar, em média, seis meses.
A definição do percurso e o diálogo com o poder público também são etapas fundamentais. “A escolha do percurso está relacionada ao perfil do evento e ao público-alvo que a organização deseja atingir. Já a negociação é formalizada por meio da Central de Licenciamento de Eventos (CLE), para definir todas as documentações necessárias para a liberação da prova e o pagamento de taxas públicas”, explica Chokito.
Diversos órgãos municipais participam da estruturação das corridas, entre eles a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur), a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), a Vigilância Sanitária (Visa) e a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), além da própria Federação Baiana de Atletismo. A emissão do alvará também é indispensável para que o evento aconteça.
Impacto financeiro
À frente das organizações das provas ligadas ao Esporte Clube Vitória e ao Esporte Clube Bahia, Guilherme Queiroz e Humberto Netto destacam que os kits distribuídos aos atletas representam a maior fatia dos custos. “Sem dúvida, os itens do kit, como camisa, medalha e brindes, são os mais caros”, revela Guilherme.
Por outro lado, a cadeia produtiva envolvida gera empregos e movimenta renda. A montagem da estrutura demanda profissionais de diversas áreas, como saúde, segurança, sonorização, apoio logístico e montagem de equipamentos.
Quando a prova é de grande porte, os números são expressivos. “Uma corrida de grande porte, com mais de 8 mil inscritos, pode movimentar, direta ou indiretamente, mais de R$ 1 milhão”, afirmou Humberto.
Nos dois dias que antecedem o evento, o ritmo de trabalho se intensifica. De acordo com Chokito, as estruturas começam a ser instaladas cerca de 48 horas antes, mas a equipe permanece em alerta até 24 horas da largada para lidar com possíveis imprevistos e assegurar que tudo ocorra de forma organizada e segura para os participantes.

