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Furto de fios avança e se repete em áreas críticas de Salvador

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Em uma ação de poucos minutos, Salvador tem presenciado fios roubados e ruas mergulhadas na escuridão, passando a conviver com a insegurança e com prejuízos. Na madrugada desta segunda-feira, um homem foi flagrado arrancando fios de três postes no Dique do Tororó, em Salvador, numa cena que deixou de ser um episódio isolado e tem se repetido em diferentes pontos da cidade, ano após ano.

O impacto vai além do apagão momentâneo. Segundo a Neoenergia Coelba, em média, 83 mil pessoas têm o fornecimento de energia interrompido todos os meses na Bahia em decorrência do furto de cabos, evidenciando a dimensão do problema e seus efeitos diretos no cotidiano da população. Em média, são registradas mais de 50 ocorrências devido ao furto de cabos na Bahia no mes, acrescenta a empresa. 

Dados municipais indicam que, nos primeiros meses de 2026, o prejuízo com furtos de cabos ultrapassa R$ 900 mil. O número ganha ainda mais peso quando comparado ao cenário recente: ao longo de todo o ano de 2025, as perdas chegaram a quase R$ 5 milhões. Os prejuízos são nítidos, com impacto financeiro direto para moradores, comerciantes e empresários.

Os casos costumam acontecer com mais frequênciaem localidades como o Dique do Tororó, onde ocorreu a ação mais recente, ao lado de regiões como Brotas, ItapuãPituba, Vasco da Gama e áreas do Subúrbio, como Valéria e Uruguai. Para especialistas, não se trata de episódios dispersos, mas de um mapa onde o crime se instala e retorna, evidenciando fragilidade na prevenção e dificuldade de resposta contínua.

De acordo com órgãos responsáveis pela fiação e pela preservação urbana, os efeitos ultrapassam o dano material, uma vez que a retirada de cabos compromete diretamente a iluminação pública, deixando vias inteiras às escuras e ampliando a sensação de insegurança.

Há impacto também na mobilidade urbana, com semáforos apagados e risco aumentado de acidentes, além de prejuízos ao funcionamento de serviços e atividades econômicas. Em 2026, a gravidade do problema chegou a um ponto extremo, com registro de morte de um suspeito eletrocutado durante tentativa de furto, evidenciando o risco envolvido tanto para quem pratica o crime quanto para a população exposta às consequências.

Segundo a Neoenergia Coelba, o cenário recente é a continuidade dos balanços anteriores. O balanço fechado de 2025 aponta 654 ocorrências de furtos de cabos em toda a Bahia, um aumento de 25% em relação ao ano anterior, com cerca de 1 milhão de pessoas afetadas por interrupções no fornecimento de energia. Para 2026, no entanto, ainda não há um consolidado oficial divulgado pela concessionária. O que existe até o momento são recortes parciais, dados operacionais e o acompanhamento das ocorrências, que indicam a persistência e a expansão do problema.

A concessionária reforça a dimensão do impacto causado por esse tipo de crime. “A energia é um item essencial para o funcionamento da sociedade e o furto de cabos elétricos impacta diretamente no dia a dia dos baianos. Em média, 83 mil pessoas têm o fornecimento suspenso devido à prática ilegal na Bahia todos os meses. Os investimentos em tecnologias realizados pela Neoenergia Coelba para tornar o sistema elétrico mais inteligente diminuem o impacto à população, permitindo que uma ocorrência provocada pelo furto de cabos seja restabelecida em segundos. É importante ressaltar que, além do impacto ao fornecimento de energia, o crime é extremamente perigoso, podendo causar graves acidentes para o infrator e para toda a população”, afirmou Felipe Costa, gerente de Operações da Neoenergia Coelba.

Autoridades policiais também alertam que o furto de fios segue alimentado por uma cadeia que envolve não apenas quem executa a retirada dos cabos, mas também a receptação e comercialização do material, especialmente o cobre, no mercado ilegal.

Na prática, o resultado é imediato e visível: bairros inteiros mergulhados na escuridão, serviços interrompidos e recursos públicos sendo constantemente redirecionados para reposição de estruturas que voltam a ser alvo pouco tempo depois.

De acordo com a Neoenergia Coelba, além dos prejuízos financeiros, o furto de cabos provoca impactos diretos na qualidade de vida da população e na operação dos serviços essenciais. Em nota divulgada anteriormente, a concessionária alertou que “o furto de cabos compromete o fornecimento de energia, afeta hospitais, escolas, comércios e residências, além de colocar vidas em risco”, destacando ainda que a prática exige mobilização constante de equipes técnicas e eleva os custos operacionais do sistema elétrico.

A empresa também chama atenção para a importância da colaboração da população no enfrentamento ao problema. Entre as orientações estão evitar se aproximar de fios caídos ou expostos, acionar imediatamente a concessionária ao identificar pontos com iluminação apagada de forma repentina e denunciar movimentações suspeitas próximas a postes e redes elétricas, especialmente durante a madrugada. A Coelba reforça que qualquer intervenção na rede elétrica sem autorização representa risco grave e deve ser comunicada pelos canais oficiais.

 

 

Receptadores são principais alvos da Polícia

Moradores de áreas afetadas relatam convivência constante com o problema. No bairro do Dois de Julho, um residente que preferiu não se identificar afirma que a situação tem se tornado cada vez mais frequente, sobretudo durante a madrugada. emgeral, sao pessoas em situação de rua e em vunlerabilidade social que cometem o furto para conseguir  mixarias para se alimentar ou sobreviver, inclusive com o uso de drogas. 

“A gente já sabe o horário. De madrugada, principalmente depois das duas da manhã, começa a movimentação. Tem muita gente usando droga na região e eles acabam aproveitando para arrancar os fios, principalmente de cobre. O medo é constante, porque a rua fica escura e a gente se sente vulnerável”, relata.

Do ponto de vista da segurança pública, autoridades reconhecem a complexidade do enfrentamento. Em declarações anteriores, representantes da Secretaria da Segurança Pública destacaram que o furto de cabos está diretamente ligado à cadeia de receptação. “Não é um crime isolado. Existe uma estrutura por trás que envolve quem furta e quem compra esse material. As ações têm sido intensificadas para coibir principalmente a comercialização irregular”, apontou a pasta em posicionamento institucional.

Especialistas e gestores públicos também têm reiterado que o impacto vai além do prejuízo imediato. Em análises já divulgadas, a avaliação é de que o furto de cabos desorganiza serviços urbanos, pressiona os cofres públicos e exige reposição constante de infraestrutura, criando um ciclo difícil de romper sem ações integradas e permanentes.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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Foto: Divulgação SSP

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