O consumo de café segue em alta no Brasil e reforça a relevância de uma cadeia produtiva que movimenta diferentes regiões do país, com destaque para a Bahia, quarto maior produtor nacional. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o estado fica atrás apenas de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, consolidando presença entre os principais pólos da cafeicultura.
Na avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), a produção baiana supera 2,2 milhões de sacas e se organiza em dois polosdistintos, com características próprias. “A Bahia tem se consolidado como quarto Estado produtor de café do país, após Minas Gerais, Espírito Santos e São Paulo, vem a Bahia, com pouco mais de 2 milhões de 200 mil sacas, portanto, com dois pólos principais na produção de café”, afirma o presidente da entidade, Pavel Cardoso.
Segundo ele, a região sudoeste, com centralidade em Vitória da Conquista, concentra a produção de café arábica, reconhecida pela qualidade e por premiações nacionais. Já o sul do estado se destaca pelo cultivo do conilon, voltado à produtividade e com crescimento sustentado pela adaptação ao clima úmido e ao regime de chuvas.
“Nós temos uma adaptação de solo para o Conilon no sul da Bahia, com grande pluviometria, umidade elevada, bem adaptado ao solo, que tem feito diversos produtores aumentarem consistentemente a área plantada”, diz.
A diversidade regional também define os diferenciais do café baiano, com arábicas produzidos na Chapada Diamantina e no Cerrado e conilons no sul do estado. “Arábicas sempre focados em uma riqueza sensorial muito maior e o Sul da Bahia com os conilons, no aumento da produtividade e na qualidade”, explica Cardoso.
O perfil do produtor varia conforme a região, com maior presença da agricultura familiar nas áreas tradicionais de arábica e maior nível de tecnificaçãono oeste e no sul do estado. “Quando vamos para o oeste do estado, região do Cerrado e sul do estado, com a região onde se planta o conilon, há uma intensidade maior de tecnificação e áreas, propriedades maiores”, afirma.
Além da produção em volume, a Bahia também se destaca no segmento de cafés especiais, com reconhecimento nacional e internacional. “A Bahia produz café especiais, notadamente na região da Chapada Diamantina, com grandes ícones, produtores ícones, que ganham prêmios de café especiais a nível Brasil e até a nível mundial”, diz o presidente da ABIC.
No consumo, o avanço da certificação e da busca por qualidade tem influenciado o comportamento do brasileiro, tanto dentro quanto fora de casa. “A gente observa um movimento importante a partir de 2023, quando o setor passou a ser regulamentado pela portaria 570”, afirma Cardoso, ao destacar ações voltadas à garantia de origem e segurança alimentar.
Entre os desafios recentes, a entidade cita fatores climáticos e oscilações de mercado, com impacto direto na produção de arábica após episódios de geada registrados em 2021. “Esse cenário segue em curso com o gradual aumento da oferta em quantidade, em qualidade e da boa oferta que o conilons brasileiro tem atendido não apenas à indústria nacional, mas também destinado à exportação”, completa.
Fonte: Tribuna da Bahia
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