A contagem regressiva para a Copa do Mundo ganhou contornos de drama e muita conversa nos bastidores da Granja Comary. Após horas de reuniões tensas e avaliações médicas detalhadas entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta (28), a comissão técnica liderada por Carlo Ancelotti e o departamento de seleções tomaram uma decisão em conjunto: Neymar Jr. não será cortado da delegação. A Seleção Brasileira escolheu abraçar o risco e apostar as fichas em uma recuperação gradual do camisa 10 ainda durante a fase de grupos.
O atacante do Santos apresentou-se em Teresópolis queixando-se de dores e, após passar por exames de imagem, teve diagnosticada uma lesão de grau 2 na panturrilha direita.
O plano de recuperação e os prazos
O veredito médico dado por Rodrigo Lasmar, chefe do departamento de saúde da CBF, aponta para um tempo de recuperação estimado entre duas e três semanas. Com esse panorama, a presença de Neymar na estreia do Mundial, no dia 13 de junho contra o Marrocos, tornou-se praticamente um sonho distante.
No entanto, o planejamento interno foca em um objetivo mais realista e viável: ter o craque pronto para o segundo compromisso da fase de grupos, no dia 19 de junho, diante do Haiti, na Filadélfia. A CBF deu um voto de confiança e estabeleceu um prazo de 15 dias para acompanhar a evolução física do jogador. Caso ele não demonstre melhora até 24 horas antes da estreia (dia 12 de junho), a comissão técnica ainda poderá acionar o regulamento da FIFA para substituí-lo na lista de 26 convocados.
Bastidores e o mal-estar com o Santos
Embora o clima na Seleção seja de apoio ao atleta, nos corredores da entidade o sentimento é de profundo desconforto em relação ao Santos. Neymar sentiu o estiramento no último dia 17 de maio, durante o duelo contra o Coritiba pelo Brasileirão. No dia seguinte, a comissão técnica incluiu o camisa 10 na lista oficial baseando-se em um documento enviado pelo clube santista que apontava apenas um “edema leve” e garantia que o atleta estaria apto para treinar imediatamente.
Ao ver o jogador se apresentar sem condições de ir a campo e precisar de exames de urgência, a diretoria da CBF sentiu-se omitida em relação à real gravidade do problema, gerando ruídos na comunicação entre o clube e a Seleção.
O Brasil segue o caminho
Apesar das incertezas médicas e do turbilhão de notícias, a bola precisa rolar. Sem contar com o seu principal astro nos treinamentos e amistosos preparatórios, a Seleção foca agora nos testes diante do Panamá, neste domingo no Maracanã, e do Egito, já em solo americano no dia 6 de junho.
A escolha de manter Neymar no grupo envia uma mensagem clara: mesmo sem as condições físicas ideais neste momento, a liderança, o peso da camisa e o talento técnico do atacante são vistos como trunfos indispensáveis para o vestiário do Brasil na busca pelo tão sonhado título mundial.

