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8 em cada 10 brasileiros reconhecem sintomas do câncer colorretal

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Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (20) pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a revista Nexus, revelou que oito em cada dez brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou a alteração do funcionamento do intestino por mais de um mês, dois dos principais sinais do câncer colorretal.

O levantamento ouviu 2.015 pessoas com 16 anos ou mais. Ao todo, 80% dos entrevistados identificaram a gravidade dos sintomas associados ao câncer colorretal. O percentual se mantém elevado entre pessoas com histórico da doença.

Apesar desse nível de conhecimento, a pesquisa aponta que 40% dos entrevistados que relataram ter percebido sangue nas fezes não procuraram atendimento médico imediatamente.

Outro dado alarmante é que, em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil entre os anos de 2026 e 2028. O apontamento torna a doença o segundo tipo de câncer com maior incidência entre os brasileiros.

Além disso, 67% da população entrevistada associa diretamente alterações intestinais prolongadas ao câncer de intestino.

 

Busca por atendimento varia entre os brasileiros

Outro destaque do levantamento é que a busca imediata por um diagnóstico é maior entre pessoas com melhores condições financeiras (86%), brasileiros com mais de 60 anos (72%) e moradores da região Sudeste (72%).

Já entre as mulheres, é mais comum a procura imediata por atendimento médico do que entre os homens.

 

O que é câncer colorretal?

Dra. Leana Wen: O câncer colorretal refere-se ao câncer de cólon, que começa no cólon, e ao câncer retal, que começa no reto. Às vezes, as pessoas se referem ao “câncer de cólon” e ao “câncer colorretal” de forma intercambiável, mas tecnicamente o câncer de cólon é parte da categoria mais ampla de câncer colorretal.

Quando as pessoas devem começar a fazer exames de câncer colorretal e que tipos de testes estão disponíveis?

Wen: A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA recomenda desde 2021 que a maioria dos adultos de 45 a 75 anos faça rastreamento para câncer colorretal. Isso representa uma mudança em relação às diretrizes anteriores, que aconselhavam que o rastreamento começasse aos 50 anos. Entre 76 e 85 anos, a força-tarefa afirma que a decisão de rastreamento deve ser individual, feita em consulta com o médico. A força-tarefa recomenda descontinuar o rastreamento após os 85 anos.

Existem vários métodos aprovados para o rastreamento do câncer colorretal. O primeiro método é a inspeção visual do cólon. O padrão-ouro desses exames é a colonoscopia. Este procedimento envolve um gastroenterologista passando um longo tubo através dos intestinos do paciente e, geralmente, requer que a pessoa esteja sob anestesia durante o procedimento.

Um método relacionado, chamado sigmoidoscopia, é mais rápido e requer menos sedação, mas resulta em uma visão mais limitada dos intestinos. As pessoas também podem realizar uma colonografia por TC, também chamada de colonoscopia virtual, para visualizar os intestinos por meio de um exame de imagem.

Geralmente, a colonoscopia é recomendada a cada 10 anos. A sigmoidoscopia ou colonografia por TC, a cada cinco anos. O benefício da colonoscopia e sigmoidoscopia sobre a colonografia por TC é que, se um pólipo pré-canceroso for identificado, ele pode ser removido durante o procedimento para evitar que evolua para câncer.

Os exames de fezes também podem um segundo tipo de teste. A análise busca por determinados elementos nas fezes, como sangue ou DNA tumoral, que podem sugerir câncer. Esses testes precisam ser feitos em um intervalo de um a três anos. Se houver um achado preocupante, geralmente recomenda-se que o paciente faça uma colonoscopia ou sigmoidoscopia como testes adicionais.

O FDA (órgão regulador de alimentos e medicamentos dos EUA) aprovou outro tipo de teste em 2024. Trata-se de um exame de sangue com uma taxa de precisão comparável a dos testes de fezes. Acredito que seja uma boa opção para indivíduos que, de outra forma, não fariam exames de rastreamento do câncer de cólon. De fato, segundo a Sociedade Americana do Câncer, até 1 em cada 3 pessoas que deveriam fazer o teste para câncer de cólon nunca receberam qualquer exame de rastreamento.

 

Fonte: CNN Brasil

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Foto: peakSTOCK/GettyImages

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