Mastologista esclarece dúvidas sobre a doença, os fatores que influenciam a recorrência e a importância de investigar alterações nas mamas
Por: Milena D’ Anunciação
O câncer de mama está entre os tipos de câncer mais frequentes entre as mulheres e também pode atingir pessoas mais jovens. Apesar de a idade ser um dos principais fatores de risco, a doença não está restrita às mulheres acima dos 50 anos. Por isso, conhecer o próprio corpo e observar possíveis alterações nas mamas são atitudes importantes para identificar sinais suspeitos e buscar avaliação médica.
Essa pauta também faz parte da minha experiência pessoal. Enquanto repórter do LapaNews, descobri, aos 27 anos, um câncer de mama em estágio inicial, do tipo carcinoma ductal in situ. De acordo com os médicos mastologistas e oncologistas do Hospital Aristides Maltez, em Salvador, que acompanham meu caso, esse tipo de diagnóstico apresenta um prognóstico bastante favorável, com altas possibilidades de cura.

Diante dessa realidade, falar sobre o câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce deve ser uma preocupação durante todo o ano, e não apenas durante o Outubro Rosa, mês da campanha de conscientização sobre a doença.
Para esclarecer dúvidas sobre os fatores de risco, os sinais de alerta e os cuidados com a saúde das mamas, o LapaNews conversou com a médica mastologista Larissa Bitencourt, que atende na Clínica AMO e possui RQEs 14.465 e 14.464.
A especialista explica pontos importantes sobre a doença e reforça a importância de estar atenta às mudanças no próprio corpo.
Quais sinais merecem atenção?
O aparecimento de nódulos nas mamas ou nas axilas, mudanças no formato ou tamanho dos seios, retração do mamilo e saída espontânea de secreção pelo bico da mama estão entre os sinais que precisam ser observados. Alterações na pele, como vermelhidão, feridas ou aparência semelhante à casca de laranja, também merecem atenção.
Nem toda mudança representa um diagnóstico de câncer. No entanto, ao perceber algo diferente do habitual, é importante procurar avaliação médica, mesmo que não exista dor.
Quais são as chances de cura quando o câncer é descoberto no estágio inicial?
De acordo com a mastologista, o diagnóstico em fases iniciais está associado a um prognóstico mais favorável. Quando o tumor é pequeno e ainda está restrito à mama, as possibilidades de sucesso do tratamento são maiores.
“Sim, quando o câncer de mama é descoberto e tratado no início, as chances de cura são muito altas. Um estudo brasileiro chamado Amazona mostrou que cerca de 97% das mulheres diagnosticadas no estágio 1 estavam vivas após cinco anos do estudo. Nessa fase, o tumor geralmente é muito pequeno e restrito à mama. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento nessa fase inicial e, com isso, reduzir o risco da doença avançar ou se espalhar para outros órgãos.”

O que é o carcinoma in situ?
A especialista também esclarece dúvidas sobre o carcinoma ductal in situ, uma lesão não invasiva em que as células anormais permanecem dentro dos ductos mamários, sem invadir os tecidos próximos. Por essa característica, apresenta um prognóstico bastante favorável.
“No carcinoma in situ, as chances de cura são muito altas, já que as células anormais nesse câncer estão dentro dos ductos, que são os canais por onde passa o leite. Enquanto essas células permanecem ali, elas não invadem o tecido ao redor, nem se espalham para outros órgãos. Por isso que o tratamento tem altíssimas chances de cura.”
Como é avaliado o resultado do tratamento?
Segundo Larissa Bitencourt, a análise do material retirado durante a cirurgia permite verificar as características da lesão e se as margens cirúrgicas estão livres de células tumorais. Quando a mama é preservada, a radioterapia pode ser indicada para diminuir o risco de recorrência na região.
“Depois da cirurgia, o laudo da anatomia patológica confirma se havia apenas lesão in situ, se as bordas — que a gente chama de margens do tecido — estavam livres. E quando a mama é preservada, que é a cirurgia conservadora, indicamos a radioterapia para reduzir o risco da doença voltar naquela mama. Depois disso, mantemos o acompanhamento com consultas e mamografias.”
Mulheres jovens também podem desenvolver a doença?
Embora o risco aumente com o avanço da idade, o câncer de mama também pode atingir mulheres jovens. A ausência de casos da doença na família não significa que uma pessoa esteja livre do risco, pois seu desenvolvimento pode estar relacionado a diferentes fatores.
[Acrescentar aqui a explicação da mastologista sobre mulheres jovens e ausência de histórico familiar.]
O câncer de mama pode voltar?
Mesmo após o tratamento, existe a possibilidade de recorrência. O risco varia conforme as características da doença e fatores individuais. A avaliação das margens cirúrgicas e o acompanhamento médico são importantes para monitorar a saúde da paciente e identificar possíveis alterações.
Alimentos ultraprocessados: existe um limite seguro de consumo para evitar o câncer?
Com a correria do dia a dia, eliminar totalmente os produtos industrializados da rotina parece uma missão quase impossível. Mas afinal, existe um limite seguro para o consumo de ultraprocessados?
A especialista esclarece que a ciência ainda não estabeleceu uma quantidade exata de porções semanais considerada “segura” para a prevenção do câncer, mas reforça que o grande perigo está na frequência e no volume desse consumo ao longo dos anos.
“Não existe uma, um limite de porções por semana que a ciência tem estabelecido como seguro para a prevenção de câncer. Os estudos que acompanham a alimentação ao longo dos anos encontraram uma associação entre o consumo alto, né, de alimentos ultraprocessados e alguns tipos de câncer. A força dessa evidência, ela varia conforme o alimento e o tipo do tumor.”
Veja como amenizar o consumo na rotina corrida?
Para quem vive na correria e acha difícil banir totalmente os industrializados, a médica dá uma dica prática e realista: o segredo não é a culpa, mas sim olhar para o que se repete todos os dias e focar na base do prato.
“Na prática, eu sempre recomendo olhar para o que se repete na nossa rotina. Por exemplo: o refrigerante acompanha o almoço todos os dias? A salsicha vira jantar várias vezes por semana? Eu acho que vale começar por aí. Então, um consumo ocasional deve ser visto dentro de uma alimentação sem culpa.”
A orientação da doutora Larrisa é conseguir buscar o equilíbrio, garantindo que a comida de verdade volte a ocupar o centro das refeições:
“Dá para manter a praticidade, eu entendo essa questão da correria do dia a dia. O objetivo é que os alimentos como arroz, feijão, frutas, verduras sejam a base da rotina, e que esses ultraprocessados ocupem cada vez menos espaço na nossa dieta.”
Acompanhamento continua sendo importante
Você sabia? O cuidado com a saúde das mamas não deve ficar restrito apenas ao Outubro Rosa. Observar mudanças no próprio corpo, realizar os exames indicados para cada faixa etária e procurar atendimento diante de sinais suspeitos são atitudes importantes para favorecer a identificação da doença em fases iniciais.

