A chikungunya disparou na Bahia em 2026. O estado registrou um aumento de 310,8% nos casos prováveis da doença em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Até 10 de agosto, foram contabilizados 8.117 casos prováveis, contra 1.976 no mesmo período de 2025. O avanço vem acompanhado de outro dado que aumenta o alerta: a Bahia já confirmou a primeira morte por chikungunya neste ano.
O crescimento fez a doença voltar a ganhar espaço no cenário das arboviroses no estado. De acordo com a Sesab, 188 municípios já notificaram casos e 18 apresentam incidência igual ou superior a 100 casos para cada 100 mil habitantes. Alagoinhas lidera o ranking de incidência, com 2.340,63 casos por 100 mil habitantes, seguido por Rio Real, com 895,42, e Muritiba, com 878,06.
O município onde ocorreu a morte não foi informado publicamente pela Sesab até o momento. A secretaria confirmou o óbito por meio da Câmara Técnica Estadual de Análise de Óbitos. Em atualização divulgada em 18 de agosto, o número de casos notificados já havia chegado a 8.578, indicando que a curva continua subindo. A diferença em relação ao ano passado chama atenção. Em pouco mais de sete meses, a Bahia já registrou mais de quatro vezes o número de casos prováveis contabilizados no mesmo período de 2025. É uma mudança brusca no comportamento da doença no estado.
Queda
O cenário é ainda mais significativo porque ocorre depois de um período de queda. Em 2025, segundo dados da Sesab, a Bahia havia registrado 2.174 casos prováveis até a 38ª Semana Epidemiológica, uma redução de 86,5% em relação ao mesmo período de 2024. O número de municípios que haviam notificado a doença também era menor, 255, e cinco apresentavam incidência igual ou superior a 100 casos por 100 mil habitantes.
Agora, a chikungunya volta a avançar por diferentes regiões da Bahia. O aumento acontece em um momento de atenção nacional para as arboviroses. O Ministério da Saúde vem orientando estados e municípios a reforçarem a vigilância e as medidas de prevenção diante das condições que podem favorecer a circulação dos vírus.
Historia – O vírus começou a circular de forma autóctone no Brasil em 2014, quando os primeiros casos foram confirmados justamente na Bahia e no Amapá. Desde então, a doença passou a fazer parte do cenário das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti.
Na Bahia, os primeiros anos de circulação foram marcados por períodos de forte transmissão. Em 2016, por exemplo, a doença chegou a atingir centenas de municípios e chamou atenção pelo número de casos e pelas complicações apresentadas por alguns pacientes. O vírus continuou circulando nos anos seguintes, alternando momentos de maior e menor intensidade.
Em 2022, a Bahia registrava mais de 9 mil notificações de chikungunya até abril. No ano seguinte, até a 43ª Semana Epidemiológica, foram mais de 21 mil notificações, sendo 14.943 casos considerados prováveis depois dos descartes.
Vírus
O histórico mostra que a circulação do vírus pode variar bastante de um ano para outro. Por isso, o aumento registrado agora chama atenção justamente pela velocidade com que os casos cresceram. E, para quem contrai o vírus, um dos sintomas que mais costuma chamar atenção é justamente a dor nas articulações.
Segundo o infectologista Caio Ribeiro, a chikungunya costuma começar de forma repentina. “Com febre e uma dor muito forte nas articulações. Essa é uma das principais características da doença e, em alguns pacientes, a dor pode continuar mesmo depois que a febre desaparece”, afirma.
De acordo com o Ministério da Saúde, além da febre e das dores articulares, o paciente pode apresentar inchaço nas articulações, dores musculares e nas costas, manchas vermelhas na pele e coceira. Dor de cabeça, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos e conjuntivite também podem aparecer.
“É importante que a pessoa não ignore uma dor articular muito intensa, principalmente quando ela vem acompanhada de febre. A chikungunya pode se confundir com outras arboviroses, como dengue e Zika, e por isso a avaliação de um profissional de saúde é importante”, afirma o profissional.
Conforme ele, a maioria dos pacientes se recupera, mas a doença pode deixar dores nas articulações por um período prolongado. Em alguns casos, os sintomas permanecem por meses e podem atrapalhar atividades simples do dia a dia. Segundo o Ministério da Saúde, também existem casos que evoluem com complicações mais sérias. Entre elas estão manifestações neurológicas, cardiovasculares e renais. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com algumas condições de saúde precisam de atenção especial.
Não existe antiviral específico contra a doença: prevenir é a solução
O cuidado para evitar a chikungunya começa dentro de casa. Como a doença é transmitida principalmente pelo Aedes aegypti, a principal forma de prevenção é impedir que o mosquito se reproduza. De acordo com o Ministério da Saúde, a população deve verificar com frequência quintais, varandas, lajes e outros espaços onde possa haver água acumulada. Caixas-d’água precisam permanecer tampadas, vasos de plantas devem ser limpos e ter a água trocada regularmente, enquanto pneus, garrafas, latas, calhas, ralos e outros recipientes que possam acumular água devem ser eliminados, protegidos ou mantidos limpos. Bebedouros de animais também precisam ser lavados com frequência. A orientação é fazer essa vistoria pelo menos uma vez por semana, já que pequenas quantidades de água podem servir de criadouro para o mosquito.
Conforme orienta o Ministério da Saúde, o uso de repelente, roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas e mosquiteiros ajuda a evitar as picadas. Como o Aedes aegypti costuma ter maior atividade durante o dia, a proteção não deve ficar restrita ao período noturno.
Outro ponto importante é que não existe, atualmente, um antiviral específico contra a Chikungunya: o tratamento é feito de acordo com os sintomas, com hidratação e medicamentos para controlar a dor, sempre após avaliação do quadro clínico. A automedicação deve ser evitada. “O paciente não deve escolher medicamentos por conta própria. É importante procurar atendimento para confirmar o diagnóstico e receber a orientação adequada, principalmente porque os sintomas podem ser parecidos com os da dengue”, informa o Ministério.
Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

