Ciência e Saúde

Operação especial leva sangue raro na cabine de avião

Publicado em 11/10/2026 às 15:35

Sangue raro é transportado na cabine de avião pela 2ª vez no Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, pela segunda vez no Brasil, o transporte de uma bolsa de sangue raro na cabine de um avião comercial. O material foi coletado no Ceará na última quinta-feira (8) e chegou a Juiz de Fora (MG) na sexta-feira (9), para atender um paciente em estado grave que precisava de uma transfusão.

Essa operação foi viabilizada através de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas. A medida permite que bolsas de sangue com características raras sejam transportadas com mais rapidez, reduzindo o tempo de espera de pacientes que precisam de material compatível.

Por que o sangue raro precisa de transporte especial?

Nem todo sangue é compatível, mesmo quando os tipos sanguíneos mais conhecidos, como A, B, AB e O, e o fator Rh são considerados. Existem outras características presentes nas hemácias, chamadas antígenos, que também precisam ser avaliadas antes de uma transfusão.

Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma pessoa a cada mil testadas. Por isso, encontrar um doador compatível pode exigir buscas em diferentes cidades e estados.

Fotos/ bolsas de sangue/ reprodução/ internet

Entenda o caso do paciente em Minas Gerais

O paciente está internado em Juiz de Fora e precisou passar por um transplante renal. Durante os exames preparatórios para a transfusão, foi identificado o anticorpo anti-Jsb, o que tornou mais difícil encontrar uma bolsa de sangue compatível.

A equipe de saúde recorreu ao Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que localizou um doador no Ceará. A bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia, depois de passar pelos procedimentos necessários.

Como o paciente estava em estado grave, o material foi acondicionado em uma embalagem adequada, com controle rigoroso de temperatura, e transportado gratuitamente na cabine de um voo comercial. Outros doadores também estão sendo convocados com o intuito de ajudar a atender à necessidade de transfusões.

Você sabe como funciona o transporte pelo SUS?

Antes da mudança, as bolsas de sangue raro eram enviadas como carga, um processo que poderia levar mais tempo e estar sujeito a restrições logísticas.

Com a inclusão desse material no acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e as companhias aéreas, o transporte pode ocorrer também durante à noite, nos fins de semana e feriados. A proposta é facilitar o deslocamento entre estados e fazer com que o sangue chegue ao paciente dentro do prazo necessário.

A estrutura aproveita o modelo já utilizado no transporte de órgãos destinados a transplantes.

Cadastro Nacional de Sangue Raro

Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne doadores com características sanguíneas pouco comuns. De acordo com os dados divulgados pela pasta, o sistema conta com 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes.

Foto: Divulgação/ Hemoce

Quando um hemocentro não encontra uma bolsa compatível no próprio estado, o cadastro pode ajudar a localizar doadores em outras regiões. A rede também auxilia na convocação para coleta e na organização do transporte.

Primeira operação ocorreu em setembro

O primeiro transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial no Brasil foi realizado em 12 de setembro. Na ocasião, uma bolsa saiu de São Paulo com destino ao Piauí para atender um paciente com doença renal crônica em estado grave.

A busca por sangue compatível também foi feita por meio do Cadastro Nacional de Sangue Raro. Após a transfusão, o paciente apresentou evolução favorável, conforme as informações divulgadas pela equipe responsável.

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