Ciência e Saúde

Por que a doação de órgãos é importante?

Publicado em 31/10/2026 às 09:23

Entenda como a doação pode salvar vidas e conheça as principais informações sobre o processo

Milhares de brasileiros que possuem doenças graves dependem da doação de órgãos, e a falta de conscientização sobre o ato pode fazer com que a espera seja mais longa. Por isso, a mobilização social torna-se imprescindível para combater informações falsas e promover o diálogo sobre a importância da doação.

Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

Um dos principais obstáculos à doação de órgãos é a recusa familiar. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), cerca de 45% das famílias recusam a doação dos órgãos de seus entes queridos. Esse índice varia entre os estados e até mesmo entre cidades.

A recusa pode estar ligada à falta de informações ou à forma inadequada de compartilhá-las. Por não ser uma conversa fácil, muitas vezes, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com esse tipo de situação e podem ser percebidas como insensíveis ou frias.

Para reverter esse cenário, é necessário que a população compreenda a importância de conversar sobre a doação de órgãos e desmistificar informações equivocadas que ainda cercam o assunto.

Quem pode doar

Existem dois tipos de pessoas que podem tornar-se doadoras de órgãos:

Doador vivo: é uma pessoa saudável fisicamente e mentalmente e que tenha a capacidade de doar alguns órgãos e tecidos, como rim, parte do fígado ou pulmão, ou medula óssea. Para isto, é fundamental que o paciente tenha passado por avaliações específicas, provando a compatibilidade sanguínea e imunológica com o receptor.

Doador falecido: pessoas que tiveram morte encefálica (quando há perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco encefálico (oferecendo tecidos e órgãos como rins, fígado, pulmões, coração, pâncreas, etc), ou parada cardíaca (quando o coração deixa de bombear sangue, podendo ceder tecidos como córneas, ossos, pele, vasos, etc).

Como acontece

Assim como existem diferentes tipos de doadores, os procedimentos para realizar a doação também variam conforme cada caso.

Processo com doador falecido

  1. Com a confirmação da morte, o hospital em questão reporta, obrigatoriamente, à Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e a Central Estadual de Transplantes;
  2. A família é comunicada sobre a situação e participa de uma conversa decisiva, na qual é solicitada a autorização para a doação. Para que o procedimento prossiga, é necessário que os familiares assinem o termo de autorização.
  3. Após a autorização familiar, os órgãos e tecidos disponíveis para transplante são destinados aos pacientes que aguardam na lista de espera. A seleção dos receptores considera critérios como a compatibilidade, priorizando urgência médica.

Processo com doador vivo

  1. O paciente precisa manifestar o desejo em doar o órgão;
  2. O doador passa por uma série de exames, como análises de sangue, exames de imagem e avaliações psicológicas, para verificar suas condições de saúde e a viabilidade do órgão ou tecido a ser doado;
  3. O caso passa por uma avaliação ética e legal do hospital para garantir que a doação seja voluntária, sem envolvimento de comércio de órgãos ou qualquer tipo de coação.

Por que é tão importante?

Esta atitude tem extrema importância na vida de pacientes que, muitas vezes, não possuem outras alternativas para a cura. A doação é fundamental para o funcionamento dos seus órgãos vitais, contribuindo para a recuperação da saúde e do bem-estar do paciente que estará recebendo.

Vale destacar, também, que um doador falecido pode contribuir para o benefício de várias pessoas, uma vez que ele poderá ceder diversos órgãos e tecidos, que estejam em condições adequadas para transplante.

O transplante pode transformar a vida de pacientes com diversas doenças, inclusive graves, permitindo que retomem suas rotinas e recuperem parte de sua autonomia. Por isso, a disseminação de informações corretas sobre este tipo de doação é crucial no combate a mitos e no incentivo ao diálogo familiar.

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