Ciência e Saúde

Seu nível de estresse pode mudar com as estações; entenda por quê

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Publicado em 02/09/2026 às 16:00

Você já teve a sensação de estar mais disposto em uma época do ano e completamente sem energia em outra? Não é apenas impressão. As estações do ano, os ritmos biológicos e as mudanças na rotina podem influenciar a forma como o corpo e a mente lidam com o estresse.

Durante o inverno, por exemplo, é comum que a energia diminua e que a disposição para atividades físicas e encontros sociais seja menor. Já os dias mais longos da primavera e do verão podem favorecer uma rotina mais ativa e social. Pesquisas citadas no estudo apontam, inclusive, que as pessoas tendem a ter mais dificuldade para manter uma rotina de exercícios durante o inverno.

Mas a influência das estações vai além da temperatura. Luz solar, clima, hábitos cotidianos e até mudanças fisiológicas interagem com os chamados relógios internos do organismo, criando diferentes condições de energia, humor e capacidade de enfrentar situações de pressão.

 

O corpo também tem seus próprios ritmos

A resiliência diante do estresse não é uma característica fixa. Ela funciona como um equilíbrio dinâmico entre a capacidade física e mental de uma pessoa e as demandas às quais ela está submetida.

Entre os fatores que influenciam esse equilíbrio estão os ritmos biológicos. O ciclo circadiano, responsável por regular o sono e a vigília, é um dos principais. O cronotipo, que representa a preferência natural de cada pessoa por determinados horários do dia, também interfere na disposição e no desempenho.

Há ainda ritmos biológicos mais longos, que podem influenciar energia, preparo físico e humor. Tudo isso acontece ao mesmo tempo em que a vida segue seus próprios calendários: períodos escolares, prazos profissionais, férias, feriados e momentos de maior demanda no trabalho.

É justamente quando esses diferentes ritmos se chocam que o organismo pode sentir mais os efeitos do estresse. Um período de trabalho intenso, por exemplo, pode ser ainda mais desgastante quando coincide com uma fase de baixa energia ou com condições ambientais desfavoráveis.

 

Nem todo mundo sente as estações da mesma forma

A relação entre estação do ano e disposição também depende de onde a pessoa vive. A quantidade de luz solar, as temperaturas e as características do clima variam de acordo com a região do planeta e podem produzir efeitos diferentes sobre humor, energia e comportamento.

Isso ganha uma dimensão ainda mais interessante em equipes formadas por profissionais de diferentes países. Com a expansão do trabalho remoto e híbrido, pessoas que trabalham juntas podem estar vivendo estações completamente distintas ao mesmo tempo.

Enquanto um funcionário enfrenta uma onda de calor em Paris, por exemplo, outro pode estar no inverno em Santiago, no Chile, e um terceiro aproveita os longos dias de verão em Calgary, no Canadá. Essas diferenças podem interferir na disposição e na capacidade de lidar com as demandas profissionais.

 

O trabalho também precisa respeitar os ritmos

Para as equipes, reconhecer essas oscilações pode ser uma ferramenta importante de gestão. Uma das estratégias apontadas é criar um ambiente em que os funcionários possam falar com mais naturalidade sobre estresse, carga de trabalho e variações de produtividade.

Uma pesquisa realizada em 2024 com quase 28 mil funcionários de 16 países mostrou que ambientes com maior segurança psicológica estão associados a trabalhadores mais felizes e menos propensos a deixar o emprego. Aqueles que se sentem menos à vontade para falar sobre carga de trabalho, saúde mental e produtividade apresentaram cerca de 10% mais chances de pedir demissão.

A ideia, portanto, não é exigir que todos tenham o mesmo desempenho durante todo o ano, mas compreender que capacidade e disposição também oscilam.

 

Como trabalhar a favor dos próprios ritmos

A recomendação apresentada é organizar a rotina levando esses ciclos em consideração. Três atitudes podem ajudar:

Reconhecer: entender que períodos de maior e menor disposição fazem parte da experiência humana. Momentos de alta energia podem favorecer foco e produtividade, enquanto fases de menor capacidade também podem ser importantes para descanso e recuperação.

Integrar: sempre que possível, adaptar a rotina aos próprios ritmos. Isso pode significar dormir um pouco mais em determinados períodos, escolher exercícios de menor intensidade ou reservar as horas em que você está mais alerta para tarefas que exigem maior concentração.

Adaptar-se: nem sempre será possível escolher o melhor horário para uma reunião ou alterar um prazo. Por isso, manter uma espécie de “reserva de segurança” com hábitos saudáveis — como dormir o suficiente, manter uma alimentação variada e praticar atividades físicas — pode ajudar o organismo a enfrentar períodos de maior exigência.

Técnicas de regulação do estresse, como mindfulness, também podem contribuir. Exercícios rápidos de respiração e práticas de ancoragem são apontados como alternativas para momentos de tensão.

No fim das contas, talvez a pergunta não seja se você é a mesma pessoa em fevereiro e junho. Provavelmente não. E isso não significa que exista algo errado com você.

Energia, humor, disposição e capacidade de lidar com a pressão podem mudar conforme os ritmos do corpo, da rotina e do ambiente. Em vez de lutar contra essas oscilações, compreender seus padrões pode ser uma maneira mais inteligente — e mais gentil — de lidar com elas.

Resiliência, afinal, não significa estar sempre no máximo. Significa saber reconhecer quando acelerar, quando diminuir o ritmo e como se preparar para os dois momentos.

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Foto: Kieferpix/iStockphoto/Getty Images/iStockphoto

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