Um dos espaços culturais mais tradicionais de Salvador, o Teatro Vila Velha será reinaugurado no dia 25 de setembro de 2026, após passar por um processo de requalificação. A nova fase do equipamento reúne melhorias estruturais, modernização dos recursos técnicos e novas soluções de acessibilidade, preservando elementos do projeto original, criado em 1964.
A intervenção foi realizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da SUCOP, a partir de projeto coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira. O trabalho foi desenvolvido pelos arquitetos Nivaldo Andrade e Mário Vitor Bastos, da A+P Arquitetos Associados, com consultoria de Carl von Hauenschild, responsável também pela reforma realizada no teatro em 1994.
Para marcar a reabertura, o Vila Velha preparou uma programação especial que revisita diferentes momentos de sua trajetória por meio da música. O palco receberá apresentações de Bruno Barroso, Giovani Cidreira, Luiza Brito, Jadsa e Manuela Rodrigues, entre outros artistas, sob direção musical de João Milet Meirelles e Ronei Jorge.
A programação também vai recuperar canções relacionadas à história do teatro, incluindo obras apresentadas em “Nós, Por Exemplo”, espetáculo que marcou a cena cultural baiana e reuniu artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Tom Zé.
Além do repertório ligado à trajetória do espaço, a reabertura também terá músicas autorais de artistas que integram a programação contemporânea do Vila.
Estrutura renovada
A requalificação trouxe mudanças em diferentes áreas do teatro. Entre as intervenções está a atualização dos equipamentos do palco, que passou a contar com o dobro de varas cênicas, além de novos sistemas de iluminação, sonorização e recursos audiovisuais.
O espaço também ganhou uma nova passarela metálica integrada ao Passeio Público, equipada com elevador e escadarias. A solução amplia as condições de acessibilidade e a integração entre as áreas do equipamento.
Na parte interna, foram atualizados os sistemas de ar-condicionado, acústica e instalações elétricas. O teatro também recebeu novos protocolos de combate a incêndio e sistema de monitoramento por CFTV.
Salas de ensaio, camarins, áreas administrativas, Café/Bar e Foyer também passaram por intervenções.
Acervo e memória
A nova fase do Teatro Vila Velha também prevê novas possibilidades de pesquisa e visitação do acervo mantido pelo Centro de Pesquisa e Memória do Teatro Vila Velha.
O espaço reúne cerca de um milhão de documentos relacionados a aproximadamente um século de história do teatro brasileiro, formando um importante conjunto de registros sobre a produção artística e cultural do país.
A proposta é ampliar as possibilidades de acesso e pesquisa desse material, aproximando o acervo de pesquisadores, artistas e do público.
Formação e produção artística
Além da estrutura física, a nova fase do Vila Velha inclui iniciativas voltadas à formação, circulação e fortalecimento da produção artística local, além de ações articuladas com grupos de teatro de outros estados nordestinos.
Entre essas iniciativas está a Rede Pavio de Grupos de Teatro do Nordeste, que reúne mais de 50 grupos dos nove estados da região.
A programação também terá atividades voltadas à formação de novos públicos. Em outubro, o programa Pé de Feijão Arte e Educação realizará sessões gratuitas do espetáculo “Vila ABCD”, da Cia. Brasil de Teatro, com expectativa de receber 800 pessoas.
Já em novembro, o VIVADANÇA Festival Internacional retorna ao Teatro Vila Velha com uma nova proposta e formato.
A reinauguração, portanto, marca uma nova etapa para um equipamento que atravessou diferentes momentos da história cultural de Salvador. Depois de mais de seis décadas de trajetória, o Vila Velha volta a abrir suas portas com uma estrutura atualizada, mas mantendo como referência a memória construída desde sua criação.


