Conta de luz, combustíveis e alimentos mais baratos puxaram a queda; resultado foi superior à média nacional
Os preços de produtos e serviços ficaram, em média, 0,71% mais baratos em agosto na Região Metropolitana de Salvador (RMS). É o que aponta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na prática, o resultado representa uma redução média nos preços do conjunto de produtos e serviços acompanhados pelo instituto em comparação com o período anterior. O movimento é conhecido como deflação.
A queda chama atenção por ser a segunda consecutiva registrada na RMS. Em julho, o índice havia recuado 0,10%. Já a redução de agosto foi a maior observada na região em quatro anos. Em agosto de 2022, a deflação havia sido de 0,82%.
O desempenho da Grande Salvador também ficou abaixo da média nacional. Enquanto o IPCA-15 recuou 0,71% na RMS, a queda registrada no país foi de 0,40% no mesmo período.
Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, cinco apresentaram redução de preços. Entre os principais responsáveis pelo resultado estão Habitação, Transportes e Alimentação e Bebidas.
Conta de luz e combustíveis ajudam a puxar a queda
O grupo Habitação registrou a maior redução entre os nove segmentos pesquisados, com queda média de 2,01%.
O principal impacto veio da energia elétrica residencial, cujo preço caiu 7,56% em agosto. Com isso, a conta de luz esteve entre os itens que mais contribuíram para reduzir o índice na região.
O gás de botijão também ficou mais barato, com queda de 1,95%. Por outro lado, nem todos os itens ligados à habitação apresentaram redução. A taxa de água e esgoto, por exemplo, subiu 3,07%.
Ainda assim, a queda da energia elétrica e do gás foi suficiente para levar o grupo a fechar o mês em baixa.
Nos Transportes, a redução média foi de 1,35%, a segunda maior entre os grupos pesquisados. Os combustíveis tiveram queda de 3,76%, com destaque para a gasolina, que ficou 4,06% mais barata.
As passagens aéreas também registraram forte redução, de 15,16%. Em sentido contrário, o preço do conserto de automóveis aumentou 2,87%, limitando uma queda ainda maior no grupo.
Alimentos registram segunda queda consecutiva
Entre as despesas que mais pesam no orçamento das famílias, a alimentação também contribuiu para o resultado negativo do índice.
O grupo Alimentação e Bebidas teve queda média de 1,06% na RMS, registrando a segunda redução consecutiva.
O principal destaque ficou com os tubérculos, raízes e legumes, que apresentaram queda média de 26,74%.
Entre os produtos que mais recuaram estão o tomate, com redução de 43,22%; a batata-inglesa, que ficou 40,28% mais barata; e a cenoura, com queda de 24,37%.
Apesar das reduções expressivas, o resultado não significa que todos os alimentos ficaram mais baratos. O IPCA-15 considera uma cesta ampla de produtos e serviços e calcula uma média levando em conta também o peso de cada item no orçamento das famílias.
Quatro grupos registraram alta
Mesmo com a deflação de 0,71%, quatro dos nove grupos pesquisados pelo IBGE registraram aumento de preços em agosto.
O Vestuário teve alta de 0,52%. As roupas femininas ficaram 1,43% mais caras, enquanto as masculinas subiram 0,79%.
A Educação também apresentou aumento, de 0,37%. O principal destaque foi o ensino superior, que registrou alta de 1,56%.
Por isso, a queda de 0,71% no IPCA-15 não significa que todos os produtos e serviços encontrados em supermercados, lojas e estabelecimentos da Região Metropolitana de Salvador tenham ficado exatamente 0,71% mais baratos.
O índice representa uma média ponderada dos preços pesquisados pelo IBGE, considerando uma grande variedade de produtos e serviços e a importância de cada um deles no orçamento das famílias.
Em outras palavras, enquanto a conta de luz, a gasolina e alguns alimentos ajudaram a puxar os preços para baixo em agosto, outros itens ficaram mais caros — e o resultado final foi uma queda média de 0,71% na inflação da Grande Salvador.
Foto: Joá Souza/GOVBA

