Educação

Brasil reduz distância da média da OCDE no Pisa, mas segue abaixo em matemática, leitura e ciências

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Publicado em 08/09/2026 às 09:43

País melhorou a posição em relação aos resultados de duas décadas atrás, mas desempenho continua inferior ao dos países da OCDE nas três áreas avaliadas

O Brasil continua abaixo da média dos países desenvolvidos em matemática, leitura e ciências, mas conseguiu reduzir a distância em relação aos integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas últimas duas décadas. É o que mostram os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8).

Aplicado a cada três anos, o Pisa avalia estudantes de 15 anos em diferentes áreas do conhecimento. Na edição mais recente, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências.

A média dos 23 países da OCDE considerados na comparação foi de 466 pontos em leitura, 469 em matemática e 486 em ciências. Segundo a metodologia da avaliação, uma diferença de 20 pontos equivale aproximadamente a um ano de escolaridade.

Na prática, o resultado indica que os estudantes brasileiros estão cerca de 4,6 anos de escolaridade atrás da média da OCDE em matemática.

 

Distância diminuiu em duas décadas

Apesar do desempenho inferior, o cenário atual é melhor do que o registrado no início da série histórica. Entre 2006 e 2025, a diferença entre o Brasil e a média da OCDE caiu nas três áreas.

Em leitura, a distância passou de 102 para 58 pontos. Em matemática, diminuiu de 131 para 92 pontos. Já em ciências, caiu de 113 para 77 pontos.

Os resultados de 2025 ficaram, de modo geral, estáveis em relação ao ciclo anterior, realizado em 2022. A principal evolução brasileira ocorreu em ciências, cuja pontuação passou de 403 para 409 pontos.

A edição de 2025 reuniu cerca de 760 mil estudantes de 91 países. No Brasil, participaram 30.140 alunos, sendo 72,4% matriculados em escolas da rede estadual. A maioria das instituições avaliadas, 96,9%, estava localizada em áreas urbanas.

Entre os estudantes brasileiros, 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio no período de aplicação, realizado entre abril e maio de 2025.

 

Brasil recupera perdas provocadas pela pandemia

Os dados também apontam uma recuperação brasileira após a pandemia de covid-19 superior à observada, em média, nos países da OCDE.

Entre 2018 e 2025, o Brasil recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em ciências. Em leitura e matemática, as perdas foram menores do que as registradas, em média, pelos países da organização.

No país, o Pisa é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

 

Avaliação mede uso de ferramentas digitais

O Pisa 2025 também trouxe um novo domínio de avaliação: “Aprendizagem no Mundo Digital”. A categoria inclui dois aspectos: a resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais e os processos de aprendizagem autorregulada.

No primeiro deles, chamado de Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC), o Brasil obteve 406 pontos, abaixo da média de 500 pontos da OCDE.

Entre os 19 países selecionados para essa comparação, a Coreia do Sul teve a maior pontuação, com 538 pontos. O Paraguai ficou na última posição, com 352.

Os dados sobre os processos de aprendizagem autorregulada ainda não foram divulgados e devem ser apresentados pela OCDE em 2027.

A pandemia revelou a desigualdade de acesso à internet
A pandemia revelou a desigualdade de acesso à internet – Caminhos da Reportagem/TV Brasil

 

Maioria dos estudantes está em escolas com restrições a celulares

O uso de celulares em sala de aula também foi abordado nos questionários aplicados aos estudantes.

No Brasil, 81% dos alunos avaliados frequentavam escolas que tinham algum tipo de restrição ao uso dos aparelhos. Em 2022, esse percentual era de 37%. A proporção brasileira também ficou bem acima da média dos países da OCDE, de 49%.

Segundo o Ministério da Educação, o resultado acompanha evidências de que estudantes matriculados em escolas com regras para o uso de celulares têm menor probabilidade de relatar distrações provocadas por dispositivos digitais.

O MEC também relacionou o avanço à Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares na educação básica em todo o país.

No Pisa de 2022, a OCDE já havia apontado uma relação entre o uso excessivo de dispositivos digitais e o desempenho dos estudantes.

Brasília (DF) 05/08/2026 - Pessoa ouve áudio no celular na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
 Celular nas escolas –  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

Interesse e perseverança

Os questionários também avaliaram aspectos relacionados ao comportamento e à relação dos jovens com a aprendizagem.

Em 2025, 72% dos estudantes brasileiros disseram ter interesse por diferentes assuntos, enquanto 59% afirmaram se esforçar mais diante de desafios.

Outro dado chamou atenção: apenas 16% consideravam a escola uma perda de tempo. O percentual ficou abaixo da média da OCDE, de 24%, e representa uma queda de 6,9 pontos percentuais em relação a 2022.

A percepção sobre o valor da educação também aparece associada ao desempenho. No Brasil, estudantes que valorizam a escola e rejeitam a ideia de que ela seja uma perda de tempo obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências do que os demais. Na média da OCDE, a diferença foi de 27 pontos.

 

Jovens demonstram preocupação com o meio ambiente

O Pisa 2025 também identificou um alto nível de engajamento dos estudantes brasileiros com questões ambientais.

Segundo os dados, 84% acreditam que podem produzir impactos positivos no meio ambiente, enquanto 87% confiam na força da ação coletiva para enfrentar problemas ambientais.

Além disso, 77% afirmaram saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas. Os três índices ficaram acima das médias registradas entre os países da OCDE.

 

O que é o Pisa?

Coordenado pela OCDE, o Pisa é uma avaliação internacional aplicada, em geral, a cada três anos a estudantes de 15 anos. O exame busca medir a capacidade dos jovens de utilizar conhecimentos de matemática, leitura e ciências para resolver situações do cotidiano.

A avaliação permite comparar o desempenho dos sistemas educacionais de diferentes países e, a cada edição, dá maior destaque a uma das áreas avaliadas. Em 2025, ciências foi o principal foco.

O ciclo mais recente também incluiu uma avaliação de língua estrangeira e o novo domínio relacionado à aprendizagem no mundo digital.

O Brasil participa do Pisa desde 2000 e esteve presente em todas as edições. A avaliação é amostral, ou seja, não é aplicada a todos os estudantes brasileiros de 15 anos.

O calendário do exame sofreu alterações durante a pandemia. A edição que seria realizada em 2021 ocorreu em 2022, enquanto o ciclo previsto para 2024 foi adiado para 2025.

A OCDE reúne atualmente 38 países e produz estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. O Brasil não é membro da organização, mas participa de programas como o Pisa. Em 2022, recebeu convite formal para iniciar o processo de adesão, que depende do cumprimento de requisitos e da aprovação dos países integrantes.

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Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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