Redação
A educação como ferramenta de transformação social e fortalecimento da identidade cultural é o ponto de partida do projeto social Pedagogia da Preta , iniciativa criada pela pedagoga Manuela Araújo , que há mais de quatro anos desenvolve trabalhos voluntários voltados para o acesso à leitura e ao processo de aprendizagem de crianças e adolescentes na região de São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano.
Como parte de suas ações no território, o projeto realizará a iniciativa “Pedagogia da Preta: Circulação de leitura afrocentrada na primeira infância” , dedicada à contação de histórias e à literatura afrocentrada. Voltada para crianças de 6 a 8 anos , a ação promoverá, ao longo de três meses, entre setembro e novembro , uma série de atividades culturais e educativas em comunidades quilombolas e em situação de vulnerabilidade social do município.
A iniciativa prevê a realização de oito eventos, durante os quais serão apresentados oito livros infantis cujas narrativas trazem personagens, referências e histórias ligadas à identidade, à ancestralidade e à cultura dos povos negros e tradicionais.
A proposta busca valorizar o sentimento de pertencimento, permitindo que as crianças encontrem nos livros referências que dialoguem com suas próprias vivências. “O que a gente quer é oferecer às crianças a oportunidade de se reconhecerem nas histórias, ampliar suas referências e fortalecer o sentimento de pertencimento” , afirma Manuela Araújo, fundadora e gestora do Pedagogia da Preta.
Além da contação de histórias, os encontros contarão com rodas de conversa sobre temas culturais e sociais presentes no cotidiano das comunidades, criando espaços de diálogo, reflexão e aprendizado. As ações serão realizadas aos sábados e também incluirão a distribuição de lanches e uma refeição ancestral, valorizando saberes e tradições presentes na cultura local.
Para Manuela, a educação tem um papel fundamental na construção de novas perspectivas e oportunidades. “Há mais de quatro anos, o Pedagogia da Preta vem desenvolvendo ações voluntárias voltadas à alfabetização e ao fortalecimento da aprendizagem escolar em São Francisco do Conde. Este projeto nasce do desejo de ampliar esse trabalho, levando leitura, cultura e referências positivas para dentro das comunidades quilombolas” , afirma.
“Acreditamos que, quando uma criança encontra nos livros personagens, histórias e territórios que dialogam com a sua própria identidade, ela passa a se reconhecer como parte daquela narrativa. Nosso objetivo é impulsionar o aprendizado, contribuir para os processos de alfabetização e ajudar crianças a desenvolverem uma visão crítica sobre sua história, sua cultura e seu território” , completa a pedagoga.
Ao final do projeto, cada comunidade participante receberá um box com livros infantis, contribuindo para que o incentivo à leitura continue mesmo após a realização dos encontros e fortalecendo o acesso das famílias às obras trabalhadas durante as atividades.
O primeiro evento vai acontecer no dia 19 de setembro , às 10h30, na Associação de Moradores do Assentamento Milton Santos, em São Francisco do Conde . O encontro terá como destaque a obra “As Tranças de Minha Mãe”, da escritora Ana Fátima, e marca o início das atividades da iniciativa nas comunidades do município.
A programação completa, com datas, horários e informações sobre as atividades, será divulgada por meio do perfil oficial do projeto no Instagram, @pedagogiadapreta .
O projeto “Pedagogia da Preta: Circulação de leitura afrocentrada na primeira infância” conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia e integra as iniciativas contempladas pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) .
Sobre o Pedagogia da Preta :
Criado em 2022 pela pedagoga Manuela Araújo, o Pedagogia da Preta é um projeto que atua em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano, a partir dos princípios da pedagogia antirracista e da valorização da estética negra. A iniciativa desenvolve ações em comunidades quilombolas, assentamentos e junto a famílias em situação de vulnerabilidade, promovendo uma aproximação afetiva de crianças e adolescentes negros com a leitura e com suas próprias referências culturais e identitárias.
Por meio do voluntariado, o projeto também recebe doações e contribui para a distribuição de itens nas comunidades locais por meio de iniciativas como o Varal Solidário, que promove a entrega de roupas e acessórios para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Foto: Magnific

