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Cabeça feita: oficina de turbantes ensina arte vinda da África

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Além de símbolo religioso, o turbante é parte da afirmação da identidade cultural que foi trazida pelos povos africanos que vieram para o Brasil quando foram escravizados. Para exaltar essa potência, as turbanteiras Ainá Montanhas, 31 anos, e Marluce de Oliveira, de 46 anos, realizaram ontem uma oficina gratuita que ensinou a colocação do adereço em mais de 100 tecidos.

O evento aconteceu dentro da programação do Projeto Verão Salvador Shopping. Para Marluce, que há 10 anos trabalha com oficinas de turbantes e tranças durante feiras e eventos em Salvador e Aracaju, o turbante é o símbolo mais forte dentro da comunidade do candomblé. “Ele era e ainda é muito usado por pessoas iniciantes no candomblé para manter a cabeça coberta. A cor usada é sempre o branco. E depois disso ele passa a ser usado de acordo com as obrigações da pessoa dentro da religião”, conta.

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Com o tempo, os adereços trazidos da África passaram a ser reproduzidos, assim como as estampas e as colorações que tinham em seus países de origem. Para a oficina, os tecidos escolhidos foram o africano, a renda, a malha e o crepe de seda. Segundo as profissionais, cada um é usado para tipos específicos de penteados. O tecido africano, por exemplo, é ideal para produções mais elaboradas, para dar diferentes formatos ao turbante, como grandes laços. Já a malha é um tecido mais fluido, sendo mais indicado para as amarrações de tiaras e flores.

“O turbante era muito mais usado pelo povo preto, mas hoje ele também é um acessório. Para mim, o turbante me enaltece, eu me sinto poderosa. Não tem como você passar por uma mulher de turbante e não olhar para ela. Então, eu vejo que essa é uma forma de exaltar a autoestima da mulher”, garante Marluce.

A partir do comércio entre Ocidente e Oriente durante o período escravocrata, as trocas culturais foram intensificadas e levaram os turbantes para o mundo da moda, especialmente na Europa, nas décadas de 20 e 30. Desde então, o adereço se popularizou e se consolidou, também, como um acessório fashion.

Monique Alves, de 48 anos, contou que sempre teve vontade de usar a peça, mas faltava oportunidade. A oficina foi o momento ideal para isso. “Eu nunca tive oportunidade de aprender. Em mim, nunca havia feito, nunca me vi assim com o adereço e gostei demais, quero tirar várias fotos agora”, conta ela, que passeava pelo shopping no momento que a oficina era realizada.

Ao descobrir que o evento aconteceria, Marluce Bittencourt, 35, que já costuma usar turbantes semiprontos, foi até o local para conhecer as amarrações. “Eu adoro turbantes, mas ainda não tinha tanta habilidade para fazer. Vim e adorei o resultado, valeu muito a pena”, comentou.

O Projeto Verão Salvador Shopping segue até o dia 28 de fevereiro, na Praça Central (Piso L1), sempre gratuito. A programação conta com a Quarta Cultural, das 17h às 18h, onde se apresentam atrações que valorizam a cultura do estado; a Quinta Sunset Show, sempre com atrações musicais, das 19h às 20h; e o Sábado Verão Kids, dedicado a fazer a alegria da criançada, das 10h às 11h.

Confira abaixo a programação completa:

Quarta Cultural

2/2 – 17h às 18h – Apresentação das Ganhadeiras de Itapuã

9/2 – 17h às 18h – Balé Afro

16/2 – 17h às 18h – Apresentação de Dança

23/2 – 17h às 18h – Pintura da Timbalada e apresentação do Pracatum

Quinta Sunset Show

27/1 – 19h às 20h – Batifun

3/2 – 19h às 20h – Aloísio Menezes

10/2 – 19h às 20h – Batifun

17/2 – 19h às 20h – Sérgio Passos

24/2 – 19h às 20h – Peu Tanajura

Sábado Verão Kids

29/1 – 10h às 11h – Corrupio – música e histórias cantadas

5/2 – 10h às 11h – Pipoca Bacana

12/2 – 10h às 11h – Espaço Musical

19/2 – 10h às 11h – Canela Fina

26/2 – 10h às 11h – Tio Paulinho e personagens


Redação Correio*

Foto Ana Lúcia Albuquerque

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