Nutricionista de 39 anos, Acauã Vídero concilia profissão e treinos, supera interrupções na carreira e tenta viabilizar viagem para competição em Buenos Aires (Fotos: acervo pessoal).
Acauã Vídero, de 39 anos, tem um relacionamento de idas e vindas com a piscina. Trabalho, faculdade e outras responsabilidades interromperam diversas vezes a rotina do nadador baiano. Porém, mesmo nos períodos afastado dos treinos, uma característica permaneceu: a técnica. Agora, em mais um retorno, ele busca apoio para representar, em outubro, a Bahia e o Brasil no PanAm Aquatics Masters, em Buenos Aires, na Argentina.
A história na natação começou entre os 12 e 14 anos, na época de escola, em Salvador. Acauã escolheu a modalidade como alternativa às aulas convencionais de educação física, já que nunca gostou de futebol. O contato inicial durou pouco, mas foi suficiente para revelar facilidade dentro da piscina. Logo, ele passou da escolinha para a equipe do colégio e começou a disputar competições.
Empurrãozinho olímpico

Anos depois, um encontro despretensioso com um medalhista olímpico ajudou a recolocar a natação no caminho de Acauã. Ele estava com a família em um clube quando chamou a atenção de Edvaldo Valério, bronze em Sydney-2000.
“Ele sentou comigo, falou alguma coisa que não me lembro exatamente o que foi. Mas, desse dia em diante, ele queria que eu marcasse um treino com a equipe do Baneb para ver o meu nível, para ver se eu tinha futuro mesmo”, recorda.
Pouco depois, Acauã começou a treinar no Baneb e, em 2006, iniciou oficialmente sua trajetória competitiva.
O impacto apareceu rapidamente. Logo nas primeiras competições, o então desconhecido nadador começou a conquistar pódios e chamar a atenção de treinadores. Além dos resultados, havia uma característica que atravessaria toda a carreira. “Até hoje, meu destaque maior é a técnica”, afirma sem modéstia.
A técnica que resiste às pausas
Essa técnica se tornou ainda mais importante porque a trajetória nunca seguiu uma linha contínua. Faculdade, trabalho e mudanças de prioridade fizeram Acauã interromper os treinamentos diversas vezes. Entretanto, mesmo afastado, continuava requisitado por equipes para competições específicas. Em algumas temporadas, passava meses sem treinar regularmente e retornava apenas para determinados campeonatos.
Os retornos, inclusive, viraram uma peculiaridade de sua carreira. O condicionamento precisava ser recuperado, mas os movimentos dentro da água continuavam despertando atenção.
“Toda vez que eu volto, eu sempre volto com a técnica absurda de sempre. Toda vez que eu nado, todos os técnicos ficam meio que abismados”, conta aos risos. Segundo Acauã, treinadores de equipes adversárias chegavam a alertar outros competidores sobre aquela cara pouco conhecida que, volta e meia, reaparecia nas piscinas.
Entre o master e o sênior
Aos 39 anos, Acauã divide-se entre as categorias master e sênior. No master, os competidores são separados por faixas etárias, o que oferece novas possibilidades esportivas ao baiano. Já o sênior reúne atletas de alto rendimento. Por isso, ele continua enfrentando nadadores dessa categoria como forma de qualificar a própria preparação. “A minha chance de melhorar é nadando com as pessoas mais fortes”, explica.
Foi justamente o circuito master que abriu uma nova perspectiva internacional. Depois de retomar os treinamentos no fim de 2025, Acauã decidiu disputar o Sul-Americano, em Recife. Mesmo sem recursos suficientes para viajar, abriu uma vaquinha virtual e conseguiu também o apoio da Clínica Ativa.
O esforço terminou com a medalha de prata nos 200 metros peito. Depois do resultado, outra conquista: a vaga para disputar o Pan-Americano Master, em Buenos Aires. A competição será entre 19 e 29 de outubro.
Quando o resultado não basta
Porém, competir também significa pagar passagens, hospedagem, alimentação e outros gastos relacionados à preparação. É uma realidade que acompanha muitos atletas sem condições de viver exclusivamente do esporte. Acauã é nutricionista autônomo, formado há 14 anos, e também cursa educação física. Além disso, vende refeições congeladas e realiza outras atividades enquanto encaixa os treinamentos na rotina profissional.
Na Bahia, programas públicos tentam diminuir parte dessa dificuldade. O Bolsa Esporte, administrado pela Sudesb, autarquia vinculada à Setre, beneficia atualmente 312 atletas. Os pagamentos mensais variam entre R$ 800 e R$ 3,8 mil. Entre os contemplados, 30 são dos esportes aquáticos, sendo 16 da natação e 14 da paranatação. Salvador também possui um programa municipal, que beneficia 448 esportistas com valores entre R$ 300 e R$ 2 mil mensais.
Para quem atravessa períodos de afastamento, entretanto, alcançar os critérios necessários para alguns incentivos pode ser mais complicado. Acauã voltou a construir resultados e ranking neste ano. Por isso, acredita que terá melhores condições de disputar benefícios públicos futuramente. Enquanto isso, precisa encontrar outras maneiras de financiar a temporada e permanecer ativo nas piscinas.
Você pode ajudar

Agora, a prioridade é conseguir chegar a Buenos Aires. Acauã abriu nova vaquinha e também procura empresas interessadas em apoiar sua preparação.
“O ideal mesmo seria visibilidade. A proposta seria alcançar alguma marca ou alguma coisa que me dê, nem que seja custo de viagem, de alimentação. Qualquer ajuda é bem-vinda”, afirma bem-humorado.
Aos 39 anos, e mesmo depois de tantas idas e vindas, o desafio não é apenas voltar a nadar. É conseguir condições para continuar. A contribuição para a viagem pode ser feita pela vaquinha virtual de Acauã Vídero.




