Entidades compartilharam card com a mensagem “O fim do futebol brasileiro” diante da possível restrição das bets – reação de torcedores nas redes sociais foi de críticas (Imagem: Reprodução/ Redes sociais).
Clubes e federações de futebol de diferentes estados se mobilizaram contra possíveis mudanças na regulamentação das bets no Brasil. A partir da quinta-feira (17), as entidades começaram a compartilhar manifesto acompanhado do card “O fim do futebol brasileiro”, em reação à possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória (MP) para proibir os jogos de cassino on-line.
A mobilização começou em São Paulo e se espalhou por outros estados. Publicaram ou aderiram ao manifesto a Federação Paulista de Futebol (FPF), em conjunto com Palmeiras, Santos e São Paulo, além da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), com Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Também aparecem na mobilização Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Chapecoense, Corinthians, Vitória e Feira FC, entre outros clubes. As federações de Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia também divulgaram a manifestação.
Além dos clubes e federações, o movimento conta com o Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf). Na Bahia, a Federação Bahiana de Futebol (FBF), Vitória (apenas no site oficial) e Feira FC publicaram o manifesto. Até a sexta-feira (18), o Bahia não havia divulgado posicionamento semelhante em seus canais oficiais.
Você pode acrescentar um bloco como este após a explicação sobre a mobilização dos clubes e antes do trecho sobre os argumentos do futebol:
Reação das torcidas nas redes sociais

A recepção do manifesto por torcedores nas redes sociais foi majoritariamente negativa. Levantamento do Portal 91, que monitora o sentimento das torcidas brasileiras em plataformas digitais, identificou forte resistência ao discurso de que o futebol brasileiro seria inviabilizado sem valores das casas de apostas.
A análise considerou 90.123 interações no X e no Instagram sobre o posicionamento dos clubes. Entre as 31.761 manifestações com posicionamento claramente identificável, 88% criticaram o manifesto, enquanto 6,9% adotaram posição intermediária e apenas 5,1% demonstraram apoio à campanha.
Entre os argumentos mais recorrentes, 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira dos clubes e seus interesses econômicos. Muitos torcedores questionaram a narrativa de que o futebol estaria ameaçado, citando casos de equipes que continuam enfrentando dificuldades financeiras mesmo após firmarem contratos milionários com empresas do setor, como São Paulo e Corinthians.
Além disso, 13,5% das manifestações fizeram referência aos impactos sociais das apostas, mencionando problemas como vício, endividamento e prejuízos para famílias de baixa renda.
O que está em discussão
O governo federal analisa uma MP que retiraria os jogos virtuais do mercado de apostas de quota fixa regulamentado pela Lei nº 14.790, de 2023. Para isso, o texto em análise revogaria o inciso II do artigo 3º da legislação, dispositivo que incluiu os jogos on-line entre as modalidades permitidas. Portanto, a proposta em discussão não proibiria as apostas esportivas.
Porém, cassinos on-line, como o Tigrinho, representam parcela significativa dos lucros. Por isso, a retirada dessa modalidade poderia afetar a estrutura financeira de empresas do setor e, consequentemente, os investimentos feitos no futebol. Dirigentes estimam que as casas de apostas destinem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios apenas aos clubes da Série A.
No manifesto, as entidades afirmam que as empresas autorizadas se tornaram uma das principais fontes de receita do esporte. Segundo o documento, o dinheiro também chega a clubes menores, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Os dirigentes citam ainda investimentos em centros de treinamento, estruturas administrativas, projetos sociais, futebol feminino e categorias de base.
Por que o governo discute a mudança
A justificativa apresentada para a revisão das regras está relacionada aos impactos das apostas sobre a renda das famílias brasileiras, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. Dados do Comsefaz, baseados em informações de pagamentos do Banco Central, apontam que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025. No mesmo período, as empresas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões em transferências via Pix.
O levantamento aponta ainda que a restrição de apostas para beneficiários do Bolsa Família, adotada em outubro de 2025, desacelerou o ritmo das transações. Segundo o estudo, o resultado indica participação relevante de famílias de menor renda no mercado de apostas.
O governo também adotou medidas para restringir o acesso de pessoas consideradas vulneráveis. A regulamentação prevê mecanismos de proteção e bloqueios para beneficiários de programas sociais. Ao mesmo tempo, o sistema de autoexclusão passou a permitir que usuários solicitem o bloqueio voluntário de suas contas.
O argumento dos clubes
As entidades que aderiram ao manifesto reconhecem no próprio texto que a expansão das apostas produz impactos sociais e defendem medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção. Além disso, sustentam que a resposta deve preservar o mercado regulamentado.
O futebol argumenta ainda que a proibição dos jogos on-line poderia estimular a migração para plataformas clandestinas. Para os clubes e federações, essas empresas não estariam submetidas às mesmas obrigações de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
A manifestação também destaca os efeitos financeiros sobre contratos já assinados. Na avaliação das entidades, uma mudança abrupta poderia reduzir a capacidade de investimento dos clubes e provocar dificuldades para cumprir planejamentos e compromissos firmados sob o atual marco regulatório.

