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Gabriel Bandeira estreia em Jogos Paralímpicos com ouro nos 100m borboleta

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 Foto: Helano Stuckert

Na tradição católica, Gabriel é um arcanjo que traz as boas novas. Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, não só um, mas dois deles contemplaram o Brasil com as melhores notícias no primeiro dia de competições. Gabriel Araújo, da classe S2, conquistou a primeira medalha do Brasil na competição nos 100m costas e Gabriel Bandeira, da S14 – numa disputa de gigantes e um show de recordes – venceu a final dos 100m borboleta. O primeiro ouro do Brasil na estreia do atleta em Jogos Paralímpicos.

Bandeira já havia estabelecido o recorde da prova nas classificatórias, mas foi superado na bateria seguinte. Na final, levou a melhor. “Na hora da prova, o ambiente foi de competição aberta mesmo, nos encaramos, entramos no clima. Também olhei para a arquibancada e, apesar de poucas pessoas, tinha um pequeno grupo torcendo pelo Brasil. Fez toda diferença”, conta. Gabriel tem outras cinco provas na capital japonesa, quatro individuais e uma de revezamento.

“Posso dizer que comecei minha história em Paralimpíadas com o pé direito. No início da pandemia, houve muita incerteza e acabei engordando mais de dez quilos. Isso me prejudicou bastante quando voltei aos treinos, mas deu tudo certo no final”, conta o atleta de Indaiatuba, São Paulo, que mora e treina em Uberlândia, Minas Gerais.

Bandeira já tem no currículo outras medalhas de ouro: nos 100m borboleta, 100m peito, 100m costas, 200m medley, 100m e 200m livre, todos conquistados no Campeonato Europeu na Madeira (Portugal) 2021.

Gabriel competia na natação convencional desde os 11 anos. Após algumas dificuldades de evolução nos treinamentos, foi submetido a testes e ficou constatada uma deficiência intelectual. Em 2020, participou da primeira competição na natação paralímpica, quando quebrou quatro recordes brasileiros. No início do ano, bateu seis recordes das Américas.

Prata de ouro

A primeira medalha do Brasil nas Paralimpíadas Tóquio 2020 veio do mineiro Gabriel Araújo (S2), nos 100m costas. Recordista mundial dos 50m borboleta, o mineiro é estreante nos Jogos Paralímpicos. No Parapan de Lima 2019, primeira competição internacional, Gabriel conquistou quatro medalhas, sendo duas de ouro (50m e 100m livre) e duas de bronze (50m costas e 50m borboleta). Ele nasceu com uma anomalia congênita que compromete o desenvolvimento dos membros e conheceu a natação por meio de um professor de Educação Física da escola onde estudava, nos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG).

Daniel, o fenômeno

O multimedalhista Daniel Dias chegou a sua quarta e última Paralimpíada e segue a tradição de conquistas. Na estreia em Tóquio, o atleta da classe S5 levou mais um bronze para sua galeria, na prova dos 200m livre. E vem mais por aí: o nadador ainda vai disputar em Tóquio os 50m livre, os 50m costas, os 50m borboleta, os 100m livre e o revezamento misto 4x50m livre.

Daniel é o maior nome da natação paralímpica brasileira. São 25 medalhas nos Jogos com a de hoje, sendo 14 de ouro. Na última edição, no Rio de Janeiro, foram nove pódios. Já em edições dos Jogos Parapan Americanos, são 33 medalhas, todas de ouro. No último Mundial, realizado em Londres, em 2019, o atleta levou um ouro, uma prata e dois bronzes.

Natural de Campinas, Daniel nasceu com má formação dos membros superiores e da perna direita, e começou a nadar apenas aos 16 anos, inspirado pelas conquistas de Clodoaldo Silva nos Jogos de Atenas 2004.

Phelipe, o consistente

Para completar o quarteto do pódio do primeiro dia de competições no Centro Aquático de Tóquio, Phelipe Rodrigues garantiu o bronze nos 50m livre da classe S10 com o tempo de 23s50. O ouro ficou com o australiano Rowan Crothers, com 23s21, e a prata com o ucraniano Maksym Krypak, que fechou a prova em 23s33. Phelipe, assim como Daniel, está na quarta participação em Jogos Paralímicos. Natural de Recife (PE), o atleta nasceu com má formação no pé direito e deu início à natação por recomendação médica. E nunca mais parou.

Desde Pequim 2008 Phelipe sobe ao pódio em todas as edições. Na China, conquistou duas pratas, nos 100m e nos 50m livre. Quatro anos depois, em Londres, foi prata nos 100m livre. E no Rio de Janeiro, em 2016, faturou quatro medalhas: prata nos 50m livre e no revezamento 4x100m livre, e bronze nos 100m livre e no revezamento 4x100m medley. Somando três edições dos Jogos Parapan Americanos (Guadalajara 2011, Toronto 2015 e Lima 2019), o atleta conquistou 17 medalhas, sendo 12 de ouro. Em 2019, foi vice-campeão dos 50m livre no Mundial de Londres.

Outras finais

Na prova de 100m costas da classe S1, com maior limitação na natação paralímpica, os convocados disputam a final direto, sem classificatória. O representante do Brasil,  José Ronaldo da Silva, nos 50m costas, fechou a prova em quinto. Também disputaram as finais

Mariana Ribeiro (S10), nos 50m livre, que chegou em 5º; Douglas Matera (S13), nos 100m borboleta, em 7º lugar; e Carol Santiago (S13), nos 100m borboleta, que encerrou a prova em 6º lugar.

Classificação

As classes têm início com a letra S (swimming). Para a definição da classe física, o nadador é avaliado por meio de testes motores, de força muscular e mobilidade articular. Os atletas com deficiência visual são submetidos a exames para verificação da acuidade visual e assim entram em uma das três classes disponíveis: S11 para cego total, S12 e S13 para baixa visão. Nas classes de 1 a 10, quanto maior o grau de comprometimento, menor o número da classe. A classe 14 é para atletas com deficiência intelectual

Fonte: Cristiane Rosa/ Rede Esporte GOVBR

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