Por Valéria Casseb
O trânsito sempre foi um indicativo do comportamento humano, refletindo aspectos marcantes da nossa cultura (formação e educação moral, intelectual e religiosa) e da civilização. Seja no carro, no ônibus ou no metrô, a forma como nos comportamos no trajeto para casa ou trabalho vai mostrar o quão civilizados (ou não) somos.
O uso do transporte público exige de nós, além do senso de coletividade, regras de convivência, prática de boas condutas e, principalmente, paciência.
São ambientes que oferecem elementos e situações que impactam diretamente a forma como interagimos uns com os outros, impactanto portanto, a forma como nos sentimos e reagimos aos estímulos externos.
Conviver com estranhos já não é uma tarefa fácil numa situação comum, concorda? Agora imagine num espaço limitado, comumente superlotado onde você compartilha o mesmo espaço com pessoas diferentes em hábitos, estilos e gostos.
Vagões cheios, ônibus atrasados, engarrafamentos e barulho são problemas que podem acionar gatilhos que geram estresse e ansiedade, distúrbios que afetam não só o ambiente em si, como a vida do usuário no ambiente familiar. Some-se isso à sensação de insegurança e medo experenciadas principalmente por mulheres que temem sofrer assédios nesses locais.
Vale lembrar que o ser humano é um ser emocional, portanto, um ser reativo. O que acontece é que em locais públicos as pessoas se sentem obrigadas a controlar suas emoções, o que é bem diferente de gestão emocional. Nesse momento nosso sistema racional freia comportamentos reativos, exigindo de nós obediência às regras, ainda que isso nos gere algum desconforto.
O fato é que, quando gerimos de forma inteligente nossas emoções, dificilmente somos influenciados pelos estímulos externos (que hoje são cada vez maiores). Aliás, é justamente no caos que conseguimos perceber se realmente encontramos a paz interna.
Tornando o ambiente mais tranquilo
Para deixar o ambiente minimamente saudável, a palavra de ordem é respeito e, obviamente, atenção. Só assim é possível evitar inconvenientes como a obstrução da passagem com mochilas nas costas ou sacolas de compras no chão, por exemplo.
Estar atento ao embarque e desembarque (aguardando as pessoas e facilitando o deslocamento), observar se há pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida -a fim de acomodá-los nos assentos exclusivos-, ouvir música no fone de ouvido e falar baixo são apenas alguns exemplos de boa convivência e educação. Lembre-se que a forma como reagimos às situações ou lidamos com o outro fala muito mais sobre nós mesmos do que sobre a situação em si ou o outro.

