Por: Milena D’ Anunciação
Com a chegada do São João, além das comidas típicas, das quadrilhas e dos shows, também é o período onde aumentam as tradicionais queimas de fogos de artifício. Apesar de fazerem parte da celebração para muitas pessoas, esses estampidos muitas vezes acabam representando um grande desafio para cães e gatos, que costumam sofrer com o excesso de barulho.
Pensando nisso, a reportagem do Lapa News conversou com a médica-veterinária Yasmin Nakamori, que reuniu orientações importantes para poder auxiliar sobre como os tutores podem proteger seus pets durante o período junino.
Segundo a especialista, os animais possuem uma audição muito mais sensível do que a dos humanos, o que faz com que os sons altos e inesperados sejam percebidos como uma ameaça.
“Os pets possuem audição muito mais sensível que a dos humanos. O som intenso e inesperado dos fogos é interpretado como uma ameaça, desencadeando respostas de medo, ansiedade e até pânico”, explica.
Entre os principais sinais de medo e ansiedade nos animais estão tremores, respiração ofegante, vocalização excessiva, inquietação, tentativa de fuga, salivação intensa, pupilas dilatadas e a busca por esconderijos. Em alguns casos, os animais também podem até mesmo apresentar perda de apetite.
Yasmin destacou que os cuidados devem começar antes mesmo do início dos festejos. A recomendação é preparar um ambiente seguro dentro de casa, mantendo a rotina do animal e oferecendo espaços onde ele possa se sentir protegido.
Confira as dicas para proteger os pets durante o São João
- Mantenha portas, janelas e portões fechados;
- Disponibilize camas, cobertores e esconderijos confortáveis;
- Deixe o animal em um ambiente conhecido e seguro;
- Ligue a televisão ou coloque músicas para ajudar a amenizar os ruídos externos;
- Verifique se a coleira possui identificação atualizada;
- Evite deixar cães e gatos soltos em quintais durante os horários de fogos;
- Nunca administre medicamentos sem orientação veterinária.
De acordo com a veterinária, deixar a televisão ligada ou utilizar sons ambientes pode acabar ajudando a mascarar parcialmente os estampidos, proporcionando mais conforto aos animais durante os momentos de maior movimentação.
A especialista também alerta para alguns erros comuns que são cometidos pelos tutores. Entre eles estão forçar interação quando o animal procura se esconder, deixá-lo sozinho em áreas externas ou até mesmo recorrer à automedicação na tentativa de reduzir o estresse.
Um outro alerta importante que foi feito por Yasmin Nakamori diz respeito ao uso de medicamentos sem orientação profissional. Segundo a especialista, muitos tutores recorrem a calmantes na tentativa de reduzir o medo dos animais durante os festejos, mas a prática pode colocar a saúde dos pets em risco.
“A automedicação nunca é recomendada. Em animais que apresentam ansiedade intensa, histórico de crises ou pânico severo, o médico-veterinário pode indicar medicações específicas após avaliação. Cada caso deve ser analisado individualmente para garantir a segurança e o bem-estar do animal”, destaca.
Gatos e cachorros reagem de forma diferente, mas ambos necessitam de atenção redobrada
As reações aos fogos podem variar entre cães e gatos. Enquanto os cães costumam demonstrar o medo de forma mais evidente, os gatos muitas vezes procuram esconderijos e podem passar despercebidos, embora também sofram com essa situação.
Nos casos de ansiedade intensa, histórico de crises ou pânico severo, a orientação é buscar ajuda profissional. Segundo a veterinária, apenas o médico-veterinário pode avaliar a necessidade do uso de medicamentos específicos.
Caso o seu animal apresente uma crise de pânico durante os festejos, a recomendação é manter a calma, e levá-lo para um ambiente protegido, reduzir os estímulos externos e permanecer por perto sem forçar contato. Em situações mais graves, é necessário procurar atendimento veterinário.
Filhotes e animais idosos merecem atenção redobrada. Pois enquanto os mais novos ainda estão em processo de adaptação aos estímulos do ambiente, os pets idosos podem apresentar problemas cardíacos, neurológicos , além de outras condições que tornam o estresse ainda mais prejudicial.
Para Yasmin Nakamori, o segredo para atravessar o período junino com tranquilidade está no planejamento. “Preparar o ambiente, reforçar a segurança da casa, respeitar o comportamento do animal e buscar orientação veterinária quando necessário são as melhores formas de proteger os pets durante o São João”, conclui.
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