Um cão comunitário, conhecido como “Parmesão”, foi encontrado pintado em diferentes partes do corpo, na última quinta-feira (26), próximo à Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), no município de Criciúma (SC).
O animal teria sido pintado durante um trote universitário e agora as autoridades tentam identificar os responsáveis.
De acordo com o projeto social Coragem e Gentileza, que cuida de animais em situação de rua e que acompanha o estado de saúde do cachorro, a atividade poderia provocar alergias ou danos mais severos à saúde dele, como intoxicação e inflamação.
“Parmesão” foi encontrado com tinta, identificada pela cor das bandeiras das atléticas da universidade, na região próxima aos olhos, cabeça e ânus.
Ainda conforme o Coragem e Gentileza, o cão foi acompanhado por voluntárias que tentaram iniciar a limpeza do animal. Porém, foi preciso encaminhar “Parmesão” para atendimento veterinário e banho adequado.
Até o momento, o cão comunitário não apresentou reação alérgica ou outros danos à saúde, mas segue sendo monitorado pelos veterinários.
O projeto ainda informou que a universidade colabora com as investigação, fornecendo imagens e realizando iniciativas de conscientização sobre maus-tratos e arrecadação de insumos para esses animais.
Em nota, a Associação Atlética Acadêmica de Psicologia Tritão da universidade afirmou que a atitude “é completamente incompatível com os valores” defendidos e que “não possui qualquer relação com o episódio mencionado”.
“Esclarecemos, ainda, que a recepção de calouros organizada pela Atlética de Psicologia Tritão ocorreu exclusivamente nas dependências do bar Planeta Beer, em ambiente controlado, e não possui qualquer relação com o episódio mencionado. Reforçamos que não tivemos participação, envolvimento ou qualquer tipo de responsabilidade na ação que resultou na pintura do animal. Destacamos também que uma das etapas da nossa recepção de calouros foi a arrecadação de ração para os cães comunitários, justamente com o objetivo de incentivar o cuidado e a proteção desses animais, o que reforça ainda mais que atitudes como essa não condizem com os princípios da nossa Atlética”, disse à direção da atlética à CNN Brasil.
A administração da universidade também se pronunciou informando que o trote não ocorreu nos limites físicos do campus, mas que instaurou uma apuração interna para identificar os estudantes responsáveis.
Veja o pronunciamento da Unesc na íntegra:
“A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) vem a público manifestar-se sobre os fatos recentemente divulgados nas redes sociais, envolvendo a realização de um possível trote entre estudantes, ocorrido fora dos limites físicos da instituição.
A Unesc lamenta profundamente o ocorrido, especialmente no que se refere à situação envolvendo um animal, e reforça que não coaduna com trotes de qualquer natureza que não sejam solidários e alinhados aos princípios éticos. Ressaltamos que práticas dessa natureza são expressamente vedadas pelo regimento institucional, em consonância com os princípios que orientam uma universidade comunitária comprometida com o respeito, a ética e a responsabilidade social.
Embora o episódio tenha ocorrido fora do ambiente universitário, a Instituição informa que está em andamento a averiguação dos fatos, bem como a análise de possíveis irregularidades envolvendo estudantes desta universidade. Para tanto, foi instaurado procedimento de apuração interna, com o objetivo de esclarecer a situação de forma rigorosa e responsável.
A Universidade reafirma seu compromisso com a promoção de uma cultura de acolhimento, respeito à vida em todas as suas formas e convivência responsável entre os estudantes, valores que orientam suas práticas acadêmicas e institucionais.
Por fim, reforçamos que eventuais medidas cabíveis serão adotadas com responsabilidade, observando o devido processo legal e os princípios institucionais.
O projeto Coragem e Gentileza e voluntários da causa animal emitiram uma nota de repúdio reforçando mesmo em atividades de integração, é preciso conduzir as ações com responsabilidade, “especialmente quando envolvem seres vivos”. Leia a nota:
Os voluntários da causa animal vêm, por meio desta, manifestar sua preocupação em relação ao ocorrido durante, provavelmente, um trote de calouros, no qual um cachorro que vive no campus foi pintado por participantes da atividade, inclusive na região da cabeça, próximo ao olho, e do ânus.
Entendemos que o trote pode ser um momento de integração, porém é fundamental que essas ações sejam conduzidas com respeito, cuidado e responsabilidade, especialmente quando envolvem seres vivos. Situações como essa reforçam a importância de promovermos a empatia e o bem-estar animal dentro do ambiente universitário.
É importante destacar que pintar um animal pode trazer diversos prejuízos à sua saúde, como reações alérgicas na pele, intoxicação (caso o animal lamba a substância), irritações, além de causar estresse e desconforto. A aplicação de produtos em áreas sensíveis, como cabeça e região anal, torna o risco ainda maior, podendo causar dor, inflamações e complicações mais graves. Muitos produtos não são adequados para uso em animais e podem comprometer seu bem-estar de forma significativa.
Reforçamos que os animais merecem ser tratados com dignidade e não devem ser expostos a práticas que possam causar danos, mesmo que sem intenção.
Esperamos que o ocorrido sirva como reflexão para toda a comunidade acadêmica, incentivando a realização de atividades mais conscientes, seguras e respeitosas no futuro.
Ressaltamos, por fim, que maus-tratos contra animais são crime, conforme a Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), com agravamento previsto pela Lei nº 14.064/2020.”
Fonte: CNN Brasil
Foto: Reprodução/Projeto Coragem e Gentileza


