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A Precarização do Trabalho dos Motoboys de Delivery no Brasi

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Por: Pedro Leo

O crescimento das plataformas digitais de entrega nos últimos anos trouxe conveniência ao consumidor, mas também escancarou um problema persistente no mercado de trabalho: a precarização das condições de trabalho dos motoboys e entregadores de delivery.

Quem são os motoboys no Brasil?

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Brasil já conta com cerca de 950 mil motoboys e entregadores, e a maioria está na informalidade, sem vínculo empregatício ou garantias trabalhistas básicas.

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Grande parte desses trabalhadores atua por meio de aplicativos digitais, como plataformas de delivery, em um modelo de trabalho que os coloca como “parceiros” autônomos — sem direitos como FGTS, férias, 13º salário ou contribuição automática à Previdência Social.

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os motoboys que trabalham por meio de aplicativos enfrentam uma realidade de jornadas mais longas com remuneração menor:

  • Os entregadores por app trabalham, em média, cerca de 5 horas a mais por semana do que os motoboys que não dependem de plataformas digitais.

  • Mesmo assim, ganham menos: o rendimento médio mensal dos entregadores por aplicativo ficou em torno de R$ 1.784, enquanto os demais motoboys recebem cerca de R$ 2.210.

  • Na comparação por hora trabalhada, há ainda uma grande desigualdade: R$ 8,70 por hora para quem trabalha por app, contra R$ 11,90 para quem atua fora das plataformas.

Esses números evidenciam que, mesmo com mais horas de trabalho, o ganho real tende a ser menor — resultado que reforça a precarização da ocupação.

Saúde, riscos e ausência de proteção social

Trabalhar nas ruas implica riscos diários. Uma pesquisa da seguradora IZA com mais de 500 mil entregadores indicou que, em 2023, motoboys ficaram em média 41 dias afastados do trabalho devido a acidentes durante a prestação de serviços.

Essa exposição ao risco é agravada pela falta de garantias básicas de saúde e segurança do trabalho. Com grande parte dos motoboys atuando na informalidade, muitos não têm acesso a benefícios previdenciários como auxílio-doença ou auxílio-acidente — o que os deixa vulneráveis em caso de afastamentos prolongados ou incapacidades.

informalidade e direitos trabalhistas

Segundo o Dieese, cerca de 56,8% dos motoboys e entregadores estão na informalidade, sem contrato formal de trabalho, sem contribuições regulares ao INSS e sem direitos trabalhistas essenciais.

Essa informalidade não só impede a construção de uma carreira previdenciária como aprofundou a insegurança econômica desses trabalhadores, que muitas vezes dependem exclusivamente da renda de entregas para sobreviver.

Diante dessas condições, os motoboys têm se mobilizado em diversas cidades brasileiras. Em 2025, foi registrada uma greve nacional dos entregadores de aplicativo, conhecida como Breque dos Apps, com atos em ao menos 18 capitais, reivindicando melhores condições de trabalho, além de um debate intenso no Congresso da PLP 12/24 (agora PLP 152/2025) que cria a categoria de trabalhador autônomo por plataforma.

Dentre vários temas o projeto prevê; piso por corrida, jornada máxima de 12h, seguro, e contribuição previdenciária com alíquotas diferenciadas para trabalhadores e plataformas e reajuste nas taxas por entrega.

O trabalho de motoboy e entregador de delivery, apesar de essencial para o funcionamento da economia urbana moderna, ainda opera em um cenário de precariedade, baixo reconhecimento e falta de proteção social. Dados oficiais evidenciam que a combinação de jornadas longas, renda insuficiente, informalidade e riscos cotidianos coloca esses trabalhadores em uma posição vulnerável — um desafio que permanece aberto para políticas públicas, regulamentações trabalhistas e maior apoio institucional.

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