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Igreja de São Francisco entra em nova fase de restauro com reabertura em 2029

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A Igreja de São Francisco, considerada um dos monumentos barrocos mais importantes do Brasil, entrou em uma nova fase de recuperação mais de um ano após o desabamento de parte do forro da nave central, que matou a turista paulista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e deixou feridos no Centro Histórico de Salvador. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciou nesta terça-feira (2), durante visita guiada à igreja, que a etapa emergencial já foi concluída e que o templo está pronto para receber a nova fase de restauro, com R$ 34,7 milhões garantidos pelo Novo PAC e previsão de reabertura ao público em 2029.

Tombada como patrimônio cultural brasileiro desde 1938, a igreja recebeu, ao longo do último ano, intervenções emergenciais para estabilizar a estrutura, proteger peças remanescentes e preparar o espaço para a restauração definitiva. Segundo o Iphan, foram investidos R$ 2,4 milhões em estruturas de estabilização, armazenamento e catalogação de peças do forro do teto e renovação da cobertura da nave central.

A nova etapa marca a passagem da resposta emergencial para o restauro do complexo franciscano, formado pela Igreja e pelo Convento de São Francisco. As ações serão executadas ao longo de 34 meses e incluem a estabilização do claustro, já em andamento, a contratação dos projetos de restauro e o início das obras na igreja, portaria e sacristia.

Durante a visita, o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, conversou com a Tribuna da Bahia e destacou que o órgão atuou desde o dia seguinte ao acidente para evitar que os danos se ampliassem. “Trouxemos técnicos de outros lugares do Brasil para nos auxiliar nesse trabalho aqui na Igreja de São Francisco”, disse. Segundo ele, a previsão de reabertura em 2029 é considerada viável. “Hoje, a gente tem R$ 34,7 milhões garantidos para essas obras da igreja. Com esse recurso, entregamos a igreja pronta para ser utilizada pela comunidade de fé e pela sociedade daqui a 34, 36 meses após o início das obras”, afirmou.

 

 

Obras serão feitas em etapas

De acordo com o plano apresentado pelo Iphan, a primeira fase contempla a Igreja, a portaria e a sacristia. Os projetos devem ser concluídos até julho, e as obras têm previsão de início em novembro deste ano, com investimento estimado em R$ 30 milhões e prazo de 28 meses.

Também estão em andamento R$ 4,7 milhões destinados à estabilização do claustro e à elaboração dos projetos de restauro das três fases. A segunda etapa inclui o claustro e a sala do capítulo, com orçamento inicial de R$ 15 milhões. A terceira contempla a ala conventual, com investimento previsto de R$ 8 milhões. Os valores e prazos ainda podem ser readequados até a finalização dos projetos executivos.

Para o superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Queiroz, a recuperação da Igreja de São Francisco precisa ser vista como parte de um compromisso mais amplo com a preservação do patrimônio. “O que a Igreja de São Francisco mostra é que é necessário, de fato, firmar um pacto em prol do patrimônio cultural brasileiro”, afirmou.

Segundo ele, a preservação de bens históricos deve envolver proprietários, poder público, sociedade civil e iniciativa privada. “Em nenhum lugar do mundo o patrimônio cultural é preservado com instituição apenas, com órgão apenas. Todo esse patrimônio está de pé porque existe um órgão que reconhece, outras instâncias do poder que valorizam e uma sociedade que defende esse patrimônio como seu”, disse.

O arquiteto do Iphan João Gustavo Andrade explicou que, após a etapa emergencial, a nave central passou a funcionar como espaço de guarda das peças retiradas e catalogadas. Segundo ele, o ambiente interno da igreja favorece a conservação dos elementos remanescentes até o início da restauração definitiva. “A nave da igreja está servindo como espaço de guarda dessas peças, porque são peças de mais de 300 anos, e o microclima interno da igreja favorece essa guarda no mesmo local onde elas já estavam”, disse.

João Gustavo ressaltou que a complexidade do trabalho está ligada ao valor histórico, artístico e arquitetônico do templo. “Não são quaisquer peças. São peças que têm valor e precisam ser restauradas”, afirmou.

 

 

Franciscanos anunciam campanha e cobram apoio

Além dos recursos públicos já anunciados, a Ordem Primeira de São Francisco prepara uma campanha de arrecadação para mobilizar a sociedade em torno da recuperação do complexo. O lançamento oficial está previsto para o dia 13 de junho. Em entrevista à Tribuna, o frei Lorrane Clementino destacou que a presença do Iphan foi decisiva desde o acidente, mas disse que a recuperação do espaço ainda depende do envolvimento de outros setores. “Desde o acontecido em 2025, o Iphan não largou a nossa mão. A gente precisa reconhecer isso e agradecer. Mas ainda precisamos de muitas mãos para continuar nesse processo”, declarou.

O intuito é envolver pessoas físicas, empresas, artistas, políticos e instituições. “Não é apenas uma igreja, um espaço religioso, um convento onde nós moramos. É um espaço que tem muito a ver com a sociedade, com a transformação do Centro Histórico e com a própria história da nossa cidade”, afirmou.

O frei também criticou a ausência de apoio de outros órgãos públicos, em especial a gestão municipal. “A Prefeitura de Salvador nunca deu sinal. Quando houve o acidente, nós tivemos manifestações de todas as pessoas, até do presidente da República. Mas dos órgãos, nenhum sinal. Depois, para que as coisas caminhassem, nós não tivemos nenhuma manifestação”, completou.

O frei também destacou que a atuação franciscana vai além da dimensão religiosa e turística. Segundo ele, antes do fechamento da igreja, a ordem mantinha ações sociais no Centro Histórico, incluindo a oferta diária de cerca de 120 cafés da manhã para pessoas em situação de rua. “Preservar isso aqui não é simplesmente preservar uma igreja, mas preservar uma história que foi construída com a gente. Com tristeza, a gente sabe, mas não podemos apagar essa história”, afirmou.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

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