Por Paulo Cavalcanti
Mais importante do que saber quem vai governar é entender o que cada brasileiro pode fazer para mudar o futuro do país.
A eleição vai passar, teremos um presidente eleito, mas os problemas do Brasil continuarão. Quem vencer encontrará um país polarizado, endividado, com dificuldades na educação, instituições desacreditadas e muitos desafios pela frente.
Enquanto o mundo avança com a inteligência artificial, novas tecnologias e profissões, ainda temos milhões de brasileiros sem uma formação adequada para enfrentar o futuro. E não falo apenas da educação escolar: falta também educação financeira, consciência cidadã e conhecimento sobre nossos direitos e deveres.
Na política, a situação não é diferente. Muita gente deixou de avaliar propostas e resultados para defender políticos como se fossem times de futebol. Quem pensa diferente virou inimigo e a discussão deixou de ser sobre o futuro do Brasil e passou a ser sobre quem vai derrotar quem.
Mas será que trocar o presidente resolve tudo?
O Brasil precisa de planejamento, continuidade e respeito à Constituição. Precisamos parar de começar tudo do zero a cada governo. Também não adianta produzir estudos, apresentar propostas e assinar manifestos se nada disso se transforma em ação.
É aí que entra a força de quem trabalha, empreende, produz e gera empregos. Essa classe produtiva está presente em todos os municípios, mas ainda precisa reconhecer sua importância e se organizar melhor. Precisamos fortalecer as associações comerciais, valorizar a função social das empresas e promover a união de forças em torno de objetivos comuns.
Também precisamos recuperar nossa Autoestima Cidadã Produtiva. Quem trabalha e ajuda a construir a riqueza do país precisa ter consciência do seu valor e participar das decisões que afetam sua cidade, seu trabalho e sua família.
Defendo uma Consciência Cidadã Participativa Transformadora, sustentada pela Inteligência Cidadã. Em palavras simples, precisamos formar pessoas capazes de entender a realidade, avaliar propostas, cobrar responsabilidades e participar das decisões que afetam suas vidas. A consciência desperta, o conhecimento amadurece, o associativismo organiza e a participação transforma.
Por isso, nossa preocupação não pode terminar na pergunta: “Quem vencerá a eleição?” A questão decisiva é outra: o que faremos, como sociedade, depois que a eleição terminar?
A eleição passará, mas as consequências de nossas escolhas permanecerão. Não haverá presidente, partido ou salvador da pátria capaz de reconstruir sozinho uma nação dividida e descrente de suas instituições.
Se continuarmos apenas torcendo, atacando e esperando, a próxima crise já estará sendo construída diante dos nossos olhos.
A eleição terá um vencedor, mas o Brasil só vencerá quando o cidadão despertar, reconhecer sua força, organizar-se e agir.
O futuro do Brasil começa agora, e ele é da nossa conta.


