A abstenção no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 caiu na Bahia e ficou abaixo da média nacional. No estado, 16,72% dos eleitores aptos a votar não compareceram às urnas no domingo (25), ante 19,97% no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. A redução foi de 3,25 pontos percentuais, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pela Valor Data.
O índice baiano ficou 2,5 pontos percentuais abaixo da média brasileira, que chegou a 19,22%. De acordo com os dados divulgados, esse foi o menor percentual nacional de abstenção desde 2006, quando 18,99% dos eleitores deixaram de votar.
No país, cerca de 30,5 milhões de pessoas aptas a votar não compareceram às urnas, enquanto mais de 128 milhões participaram da votação. Em relação ao primeiro turno, aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais foram às urnas.
Bahia registra queda na abstenção e nos votos brancos e nulos
A redução da abstenção na Bahia foi acompanhada pela queda nos votos brancos e nulos. No estado, esses votos passaram de 5,45% no primeiro turno para 3,48% no segundo, uma diminuição de 1,97 ponto percentual.
No cenário nacional, os votos brancos e nulos representaram 3,24% do total no segundo turno, ante 4,76% na primeira etapa da eleição.
Entre os estados nordestinos, a Bahia apresentou uma taxa de abstenção inferior à média nacional. Ceará (13,89%), Pernambuco (15,19%), Paraíba (15,54%), Sergipe (15,71%) e Rio Grande do Norte (16,06%) registraram índices menores que o baiano.
Abstenção nacional está entre as menores desde 1989
Segundo o TSE, o índice nacional registrado no segundo turno está entre os menores desde 1989, quando 14,39% dos eleitores não compareceram às urnas.
Nas eleições presidenciais seguintes, os percentuais de abstenção foram de 20,47% em 2002, 18,99% em 2006, 21,50% em 2010, 21,10% em 2014, 21,30% em 2018 e 20,59% em 2022.
Historicamente, a abstenção costuma ser maior no segundo turno do que no primeiro. Uma exceção ocorreu em 2022, quando a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) foi marcada pela polarização. Naquele ano, o comparecimento passou de 79,1% no primeiro turno para 79,5% no segundo.
Em 2026, as campanhas intensificaram as estratégias para mobilizar o eleitorado. O comparecimento às urnas foi uma das apostas da campanha de Lula para tentar reverter a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, destacou a participação dos eleitores em pronunciamento na noite de domingo (25).
“Esse número é especialmente importante nesta eleição, em que muito se falou sobre a suposta dificuldade do eleitor votar. Na verdade, é importante que se diga que a Justiça Eleitoral organiza o pleito para dar máxima comodidade para o eleitorado”, afirmou.
Mobilização pode ter influenciado o resultado
Para Márcia Cavallari, especialista em pesquisas eleitorais e líder de pesquisas da Ipsos-Ipec, a redução da abstenção pode ter contribuído para o resultado da disputa, embora não seja possível atribuir a vitória de Lula exclusivamente a esse fator.
“A virada de Lula é feita de uma série de elementos. O fato de ele ter ficado atrás no primeiro turno foi motivo de maior mobilização, com muito mais engajamento nas ruas e nas redes sociais”, disse, em entrevista ao Valor Econômico.
Uma das estratégias da campanha petista foi incentivar eleitores que apoiaram Lula no primeiro turno a convencer familiares, especialmente pessoas idosas, a comparecer às urnas na etapa seguinte.
Cavallari também apontou que Flávio Bolsonaro contava com a perspectiva de vitória e com o desejo de mudança, que permaneceu elevado durante a campanha. Na avaliação da especialista, a eleição foi decidida nas horas finais, após o debate da TV Globo e manifestações espontâneas nas ruas.
Voto obrigatório e justificativa de ausência
No Brasil, o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas entre 18 e 69 anos. Quem deixa de votar e não justifica a ausência pode sofrer restrições administrativas, como dificuldades para obter passaporte e participar de concursos públicos, além de pagar multa de R$ 3,51 por turno, conforme os dados apresentados no levantamento.
A justificativa pode ser feita pelo aplicativo e-Título. O voto é facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e pessoas analfabetas.
No primeiro turno de 2026, a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos chegou a 50%, segundo os dados citados no material.
Em outubro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que o poder público deve oferecer transporte coletivo gratuito no dia das eleições. A regra passou a valer nas eleições municipais de 2024.
Neste ano, reclamações sobre dificuldades de acesso ao transporte público em cidades como Salvador e São Paulo levaram o STF a determinar a prorrogação do horário de votação por duas horas, até as 19h.


