Época mais esperada do ano, o Verão também costuma pesar no bolso de quem gosta de aproveitar ao máximo
Férias, praia, Carnaval, viagens e uma infinidade de programação na cidade. O verão é um dos períodos mais esperados pelos soteropolitanos, mas também um dos que costumam pesar no bolso de quem quer aproveitá-lo intensamente. Enquanto os especialistas indicam planejamento financeiro para evitar dívidas, existem aqueles foliões que já pagaram os blocos e camarotes com antecedência e outros que estão deixando para cima da hora.
O assistente administrativo Gustavo Dourado, de 26 anos, assume que planejamento financeiro não é muito o seu forte. Até agora, já sabe que deve curtir quatro dias de Carnaval, mas não tem ideia de quanto deve gastar. O que ele imagina para a folia deste ano é que dividir com os amigos os gastos com bebida, comida e transporte deve aliviar no orçamento.
“Até o momento, vou todos de pipoca, mas ainda tenho intenção de sair em bloco, só que é algo que verei mais próximo do início do Carnaval. Não consigo estipular quanto gasto, geralmente com turma a gente divide, então acaba sendo aleatoriamente, nunca sei exato quanto gasto no dia, descubro no final”, conta.
No ano passado, Dourado desembolsou R$ 150 por dia, com fantasia, maquiagem, comida e bebida. Ele não faz uma espécie de caixa ou poupança para esse período do ano, que já sabe que vai gastar mais do que o habitual. Sua estratégia é só tentar economizar entre novembro e dezembro. Em janeiro, as saídas também são selecionadas para não prejudicar o orçamento do Carnaval. Por isso, já tem uma programação: deve ir apenas a dois ensaios de verão e um festival.
Consultora financeira, Cinara Santos garante que os gastos não serão maiores só para Dourado. De acordo com ela, a própria cidade já tem um apelo para o consumo neste período e o alto custo das festas completa um pacote que, caso não tenha planejamento, pode terminar com um endividamento.
“Salvador é uma cidade extremamente turística, que tem muitas opções de lazer, muita praia, muitos bares, festas, principalmente nesse período de verão, que já começa no final de dezembro, com as festas populares, e vai até fevereiro, entrando um pouquinho de março. Você tem um apelo muito forte de consumo, inclusive de festa. Tem muita bebida, porque está calor, praia, então tudo isso acarreta muitos gastos. E aí se a pessoa não estiver planejada nem organizada, ela acaba se endividando”, afirma.
Um dia em um bloco de Carnaval, sem direito a bebida, pode chegar a R$ 1,7 mil, já em um camarote pode chegar a R$ 3,6 mil. Os ensaios de verão, por sua vez, podem passar dos R$ 700.
Tudo isso ainda pode se juntar, lembra a consultora, a despesas como IPTU, IPVA, matrícula de escola e outras contas típicas de início de ano.
Custo benefício

“Se você for somar, em um mês, você pode participar de duas, três, quatro, dez festas, você vai gastar, por baixo, R$ 1 mil, fora o que vai gastar com transporte, bebida, comida, enfim. É um período crítico para quem gosta de festa”, alerta a consultora financeira.
Na hora de escolher a forma de curtir o Carnaval, a especialista orienta avaliar o custo benefício das opções. Ela lembra que a maioria dos blocos não inclui bebidas e alimentação, mesmo com um valor elevado.
Já os camarotes podem ser mais vantajosos para quem vai curtir um ou dois dias, porque oferecem esses benefícios.
“O problema é que muitas pessoas que estão pagando esse valor alto no camarote não têm o padrão de vida para custear isso. Então, às vezes, o valor é duas, três vezes mais do que essa pessoa ganha de salário. Ela parcela e acaba e fica uma dívida para o ano inteiro. O ideal é se planejar, comprar antes e já chegar no Carnaval com o bloco ou camarote pago”, orienta.
Foi o que fez o químico e terapeuta holístico Marcus Vinicios Barbosa, de 38 anos. Ele sempre se planeja financeiramente para as festas de verão e, em especial, para o Carnaval. Neste ano, vai sair dois dias em bloco e os demais em pipoca, mas desde junho do ano passado já comprou seus abadás.
As parcelas já foram todas pagas e agora ele vai chegar na folia precisando desembolsar apenas para transporte e consumo. Essas despesas, garante ele, não vão pegá-lo de surpresa. Marcus já tem uma ideia de quanto deve ser e usa uma estratégia para na hora conseguir honrá-las.
“Evito realizar viagens, compras ou outros compromissos que não tenham sido previamente organizados. Por exemplo, o mês de Carnaval não é um mês em que compro eletrodomésticos ou vou realizar outras aquisições de maior valor. Nunca aconteceu de ficar sem dinheiro no final de mês de Carnaval, por mais que eu ame esse período festivo, busco não colocar o chapéu onde o braço não alcança”, afirma.
Segundo a consultora financeira, com planejamento, qualquer bloco ou camarote pode caber no bolso. Mas o ideal é comparar esse gasto com o orçamento mensal.
“É preciso listar as contas do mês, ver quanto sobra e se questionar se é possível ter aquele gasto. Se essa pessoa não tem essa grana sobrando ou se essa parcela estiver muito acima do orçamento, as contas não fecham. Esse bloco não é para mim, esse camarote não é para mim”, afirma.
O segredo para curtir o verão e não contrair dívidas é, segundo a consultora financeira, planejar e respeitar o orçamento. A dica de Cinara é começar com antecedência a guardar uma quantia para este período, definir um gasto máximo e levar para as festas dinheiro em espécie, assim fica mais fácil de controlar o consumo.
Fonte: A Tarde
Foto: Tercio Campelo / Divulgação

