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Demissões por fofoca, preconceito e bullying crescem no ambiente de trabalho

Casos vão desde comentários maldosos até ofensas virtuais e atitudes discriminatórias, especialistas alertam para consequências legais e trabalhistas

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Atitudes aparentemente inofensivas, como fofocas no ambiente de trabalho, têm levado cada vez mais profissionais à demissão por justa causa. No Espírito Santo, segundo especialistas, também aumentam os casos relacionados a práticas de preconceito e bullying dentro das empresas, informa Tribuna Online.

O juiz Marcelo Tolomei Teixeira, da 7ª Vara do Trabalho de Vitória e doutor em Direito, afirma que falar mal do empregador, colegas ou da própria empresa pode configurar motivo suficiente para demissão, dependendo da gravidade. “Do mesmo modo, também o patrão tem de se pautar com conduta respeitosa com seus empregados, não devendo falar dos desfeitos publicamente, por exemplo”, destacou o magistrado.

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Tolomei também chamou atenção para o aumento de situações envolvendo fofocas em ambientes virtuais, como grupos de mensagens. Segundo ele, esses espaços são propícios a mal-entendidos e intrigas que podem comprometer o ambiente profissional.

Outro comportamento recorrente citado por Tolomei envolve bullying no local de trabalho. O juiz relatou casos de apelidos ofensivos e brincadeiras constrangedoras, como o de um funcionário apelidado de “Bob Esponja” após receber do patrão uma esponja acompanhada de um comentário sobre mau cheiro.

Além disso, o magistrado mencionou situações como a de um empregador que deu um beijo na boca de uma funcionária durante os parabéns de aniversário, e outro caso em que uma tabela de vendas expôs o último colocado com a imagem de um cavalo pangaré. Segundo ele, atitudes como essas têm gerado ações na Justiça com pedidos de indenização por danos morais. “Os patrões devem orientar seus superiores a evitar conflitos, já que hoje em dia é comum o pedido de danos morais por tais fatos”, alertou.

O advogado trabalhista Felipe Loureiro relatou que já presenciou diversos casos de demissão por fofoca, embora nem todo comentário leve à dispensa. “Eu já atuei em um caso em que um funcionário de uma grande empresa foi demitido por justa causa. Não posso comentar o caso, pois teve muita repercussão entre os colaboradores e na empresa”, afirmou.

Já a advogada trabalhista empresarial Silvia Vargas destacou um episódio em que a Justiça condenou uma empresa ao pagamento de R$ 60 mil em danos morais. O valor foi destinado a um funcionário alvo de ofensas racistas e de gênero por parte de um colega, sem que a empresa tomasse qualquer providência para punir o agressor.