sábado | 17.01 | 8:21 PM

domingo | 31.08 | 09:06 AM

Países da União Europeia dão aval a acordo com o Mercosul, segundo agências

0Comentário(s)

Países da União Europeia deram aprovação provisória, nesta sexta-feira (09), ao acordo comercial com o Mercosul, de acordo com diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters. Apesar do sinal verde inicial, a validação formal ainda depende do envio das confirmações por escrito até as 17h, conforme relataram as fontes.

O posicionamento favorável representa um avanço significativo para a assinatura do tratado, negociado há mais de 25 anos. Embora conte com o apoio de setores empresariais, o acordo continua enfrentando forte resistência de produtores rurais europeus, especialmente na França.

Publicidade

Em linhas gerais, o tratado prevê a redução ou eliminação progressiva de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para áreas como comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e normas regulatórias.

Com a aprovação preliminar do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fica autorizada a assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Caso seja concluído, o pacto poderá resultar na maior área de livre comércio do mundo.

Para o Brasil, principal economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado estimado em cerca de 451 milhões de consumidores e deve gerar impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos setores da indústria nacional.

Mais de 25 anos de negociações

Após mais de duas décadas de tratativas iniciadas em 1999, o acordo comercial pode avançar para sua fase final dentro da União Europeia. Nesta sexta-feira, o Conselho do bloco se reúne em Bruxelas para decidir se autoriza a aprovação do texto.

Mesmo com a oposição declarada de países como a França, a expectativa é de que a Comissão Europeia consiga reunir apoio suficiente entre os 27 Estados-membros.

Acordo enfrenta resistências

Segundo a AFP, a maioria dos países da União Europeia votou a favor do acordo durante a reunião de embaixadores realizada em Bruxelas. Para que o texto avançasse, era necessário o apoio de ao menos 15 Estados-membros que, juntos, representassem 65% da população do bloco.

A decisão ocorreu apesar da resistência de países como França e Irlanda, além de outros Estados-membros que demonstram preocupação com possíveis impactos negativos no setor agrícola.

Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que Paris votaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu em comunicado.

Entre agricultores franceses, o tratado é visto como uma ameaça, diante do temor de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a exigências ambientais consideradas menos rigorosas do que as impostas na União Europeia.

A Irlanda também se posicionou contrariamente. Um dia antes da votação, o primeiro-ministro Simon Harris anunciou que o país se uniria à França, à Hungria e à Polônia na oposição ao acordo.

“A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”, afirmou Harris em comunicado.

Itália tem papel decisivo

Ao longo da semana, a possibilidade de apoio da Itália ao acordo reforçou a percepção de que o tratado poderia destravar sua ratificação nesta sexta-feira (9).

A expectativa em torno da posição italiana ganhou força após uma fonte do bloco indicar que Roma votaria favoravelmente na reunião dos embaixadores da União Europeia – um movimento considerado decisivo para o avanço do pacto.

O sinal positivo veio após o governo italiano demonstrar abertura ao texto, desde que fossem atendidas demandas do setor agrícola. Em dezembro, durante discussões no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio do país dependeria da consideração dessas preocupações.

Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação da Comissão Europeia, que propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni classificou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.

Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, destacou que a União Europeia passou a discutir o aumento – e não a redução – dos recursos voltados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.

 

Fonte: g1

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *