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Salvador ganha o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil

Publicado em 30/09/2026 às 15:10

Obra “Águas Ancestrais”, criada pelo baiano Thiago Tupinambá e pela paraense Isa Muriá, está concluída e entregue à população na ligação Iguatemi–Paralela

 

Salvador acaba de ganhar um novo marco da arte urbana brasileira. O mural “Águas Ancestrais”, criado pelos artistas Thiago Tupinambá, indígena baiano, e Isa Muriá, indígena paraense, é considerado o maior mural horizontal já realizado por artistas indígenas no Brasil.

A obra está concluída e foi entregue à população em um dos principais corredores viários da cidade, na ligação Iguatemi–Paralela, transformando a extensa superfície de concreto em um espaço de memória, identidade e afirmação da presença indígena no ambiente urbano.

Foto: Divulgação

Realizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, e pela Trevo Produções, a obra integra o novo Circuito de Murais do BRT – Arte como respiro, memória e território vivo em Salvador. O projeto tem curadoria e concepção do Projeto MURAL – Movimento Urbano de Arte Livre e amplia o circuito de arte pública da capital baiana, aproximando a produção artística contemporânea da rotina de milhares de pessoas que circulam diariamente pela região.

O bairro do Itaigara entra na segunda etapa do circuito, que já está em andamento.

Um Corpo-Rio atravessa a cidade

Com o conceito “Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo”, a obra parte do significado de origem Tupi-Guarani atribuído ao nome Iguatemi: “rio ondulante” ou “água que corre”.

A partir dessa referência, Thiago Tupinambá e Isa Muriá construíram uma composição marcada por grafismos, figuras simbólicas, referências sonoras, memória e movimento. Um grande rio contínuo atravessa visualmente o mural, conectando seus diferentes elementos e transformando o concreto em água corrente.

Na narrativa da obra, a água funciona como fio condutor, carregando histórias, identidades e saberes ancestrais enquanto permanece em constante transformação.

O mural propõe uma reflexão sobre os vínculos entre corpo, território, natureza, cidade e ancestralidade. Onde existia o Rio Camarajipe, um “rio simbólico” de 200 metros de extensão traz as Carrancas do Rio São Francisco para visitar a Cidade da Música. Desse encontro surgem altares sonoros, unindo a música soteropolitana à ancestralidade.

Encontro entre Bahia e Pará

A criação conjunta reúne dois artistas indígenas de diferentes territórios, identidades e trajetórias. Thiago Tupinambá, da Bahia, e Isa Muriá, do Pará, estabelecem um diálogo entre referências culturais dos dois estados.

A obra leva para o espaço público uma expressão artística contemporânea conectada às origens e à diversidade dos povos indígenas brasileiros.

Além da dimensão monumental, “Águas Ancestrais” ganha relevância por colocar artistas indígenas no centro da criação e da ocupação artística da cidade. A proposta valoriza o protagonismo de autores indígenas na construção de suas próprias narrativas.

Arte pública para a população

Instalado em uma das maiores e mais movimentadas avenidas de Salvador, o mural passa a integrar a paisagem urbana da cidade. A obra pode ser vista por motoristas, passageiros do transporte público, ciclistas, pedestres, moradores e visitantes que circulam pela ligação Iguatemi–Paralela.

Foto: Divulgação

A intervenção contribui para a valorização do espaço público, a democratização do acesso à arte e o reconhecimento da presença indígena como parte viva, contemporânea e fundamental da formação cultural brasileira.

Com “Águas Ancestrais”, o Projeto MURAL reafirma a proposta de transformar a cidade por meio da arte, da memória e da diversidade de vozes que formam Salvador.

Ficha técnica

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Obra: Águas Ancestrais – Corpo-Rio, Território Vivo
Local: ligação Iguatemi–Paralela, Salvador, Bahia
Projeto: Circuito de Murais do BRT – Arte Como Respiro, Memória e Território Vivo
Artistas: Thiago Tupinambá e Isa Muriá
Curadoria: Vanessa Vieira/Projeto MURAL
Coordenação executiva: Marcos Clement
Produção de campo: Gui Capriolli
Assistente de produção: Rubens Chagas – Suck
Assistentes de pintura: Flávio Córtex, Pérola Aimée e Canário
Apoio: Transalvador
Realização: Trevo Produções, Fundação Gregório de Mattos e Prefeitura de Salvador

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