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Sociedade civil precisa reagir à crise com participação cidadã

Publicado em 02/10/2026 às 10:50

 

Paulo Cavalcanti defende transparência das instituições, formação cidadã e maior participação da sociedade organizada diante do cenário de incertezas no país

 

O Brasil atravessa um período de tensões institucionais que ultrapassa os debates entre autoridades e chega diretamente à sociedade. As divergências públicas envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado dos questionamentos relacionados às investigações do Banco Master, ampliam uma sensação que já pode ser percebida entre os cidadãos: insegurança sobre os rumos do país.

Esse ambiente alimenta medo, silêncio, desânimo, incerteza e sensação de impotência. Quando decisões são questionadas ou revistas, instituições entram em conflito e investigações levantam dúvidas ainda sem respostas definitivas, o cidadão naturalmente se pergunta: o que está acontecendo no Brasil? Em quem podemos confiar? O que podemos fazer diante desse cenário?

No caso do Banco Master, fatos, suspeitas e questionamentos estão sob investigação e precisam ser devidamente esclarecidos. Cabe às instituições responsáveis conduzir esse processo com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal. A sociedade tem direito a respostas claras. Sem elas, cresce a desconfiança e aumenta a distância entre as instituições e aqueles que deveriam ser a razão de sua existência: os cidadãos.

Mas não podemos olhar apenas para o comportamento das instituições. Precisamos discutir também qual deve ser a postura da sociedade diante de momentos como este.

Foto: Reprodução

 

O Estado Democrático de Direito exige instituições fortes e independentes, mas igualmente comprometidas com os limites estabelecidos pela Constituição. Cada Poder possui atribuições próprias e deve exercê-las com responsabilidade, respeitando os mecanismos de fiscalização previstos pelo ordenamento democrático.

Há, entretanto, um princípio que não pode ser esquecido: todo poder emana do povo.

É por isso que considero urgente ampliar os investimentos em educação e formação cidadã. O brasileiro precisa conhecer melhor o funcionamento do Estado, compreender seus direitos e deveres, acompanhar as instituições e fiscalizar aqueles que exercem funções públicas. É o que tenho chamado de inteligência cidadã.

Essa consciência deve superar divisões partidárias e paixões ideológicas. Governos e autoridades são passageiros. As instituições e a Constituição precisam permanecer como referências de uma sociedade democrática.

Diante de uma crise, portanto, o cidadão não pode ser empurrado para o medo, o silêncio ou a impotência. Precisamos transformar inquietação em consciência e consciência em participação.

Nesse processo, a sociedade civil organizada tem uma responsabilidade especial. Entidades representativas, organizações do terceiro setor, instituições da classe produtiva e lideranças sociais possuem capacidade de mobilização e precisam participar mais ativamente das discussões que definem os rumos do país.

A democracia não se encerra nas urnas. Ela também se manifesta quando o cidadão acompanha, questiona, fiscaliza, cobra transparência e se organiza para participar das decisões coletivas.

O Brasil precisa recuperar a confiança do cidadão em sua própria capacidade de transformação. A crise institucional exige respostas das autoridades, mas exige também uma sociedade consciente do papel que lhe cabe.

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