O Brasil registrou 354 episódios de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, o equivalente a uma ocorrência a cada 44 horas. O número representa o período pré-eleitoral com maior quantidade de casos dos últimos dez anos, segundo levantamento divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
A pesquisa, que está em sua quarta edição, considera casos registrados no intervalo entre o segundo turno das eleições municipais de 2024 e o início oficial da campanha eleitoral de 2026. Os episódios do primeiro turno da atual eleição, iniciado em 16 de agosto, serão contabilizados posteriormente.
Mulheres concentram mais da metade dos casos
As mulheres representaram 50,6% das vítimas de violência política no período analisado, embora ocupem cerca de 18% das cadeiras legislativas do país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citados pelo estudo.
O tipo de violência também apresentou diferenças entre homens e mulheres. Nos casos de violência física — que incluem agressões, atentados e assassinatos — os homens foram vítimas em 77,2% das ocorrências. Já as mulheres representaram 58,3% dos casos de violência simbólica, como ameaças e ofensas.
O levantamento identificou ainda 31 ameaças de violência sexual e 67 episódios com conteúdo de conotação sexual ou comentários relacionados ao corpo e à aparência. Em todos esses registros, as vítimas eram mulheres.
Maioria dos ataques ocorreu contra pessoas com mandato
Do total de episódios registrados, 96,3% tiveram como vítimas pessoas que ocupavam cargos eletivos. A violência também se concentrou principalmente na política municipal, envolvendo vereadores e prefeitos.
Entre os casos com intenção letal, foram registrados 11 assassinatos e 17 atentados. Segundo o levantamento, 24 desses 28 episódios tiveram como alvo agentes políticos locais.
Em comparação com o período pré-eleitoral anterior, que contabilizou 299 ocorrências entre novembro de 2022 e agosto de 2024, houve um aumento de 18,4% no número de casos.
Violência não se limita ao calendário eleitoral
Os dados também apontam que a violência política ocorre de forma contínua, inclusive em anos sem eleições. Em 2025, por exemplo, foram registrados 225 episódios, segundo o levantamento.
A pesquisa é feita a partir do monitoramento de notícias e denúncias públicas. Por isso, os números representam os casos que chegaram ao conhecimento das organizações por essas fontes e podem não contemplar episódios que não foram denunciados ou divulgados publicamente.
As organizações responsáveis pelo estudo defendem o fortalecimento de mecanismos de prevenção, proteção, investigação e responsabilização diante dos casos identificados.

