A neuromodulação tem ganhado destaque como uma estratégia eficaz no processo de reabilitação de pessoas que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Presente em centros especializados no Brasil e em outros países, a técnica utiliza estímulos elétricos de baixa intensidade ou campos magnéticos para atuar em regiões específicas do cérebro, contribuindo para a recuperação de funções afetadas e para o aumento da independência dos pacientes.
Segundo a neurologista Dra. Luana Amorim, do Hospital Florence, o grande diferencial da neuromodulação está no estímulo à neuroplasticidade – capacidade do cérebro de se reorganizar após uma lesão. “Quando ocorre um AVC, parte do tecido cerebral é afetada, mas outras regiões permanecem preservadas. A neuromodulação atua nessas áreas, ajudando o cérebro a criar novos caminhos para recuperar funções perdidas”, explica.
Na maioria dos casos, o tratamento é classificado como não invasivo, pois dispensa procedimentos cirúrgicos, incisões ou a implantação de dispositivos no cérebro. A técnica é utilizada como apoio às terapias tradicionais. “A neuromodulação não substitui a fisioterapia, a fonoaudiologia ou a terapia ocupacional. Ela potencializa os efeitos dessas abordagens, tornando o cérebro mais responsivo ao processo de reabilitação”, afirma a especialista.
Dra. Luana ressalta que estudos científicos apontam benefícios especialmente na recuperação motora, com avanços na força e na coordenação dos membros superiores e inferiores. Há também resultados positivos em dificuldades relacionadas à fala, deglutição, atenção, memória e no alívio de dores crônicas que podem surgir após o AVC. De acordo com a neurologista, os resultados variam conforme o perfil de cada paciente, mas podem impactar de forma significativa a qualidade de vida. “Em muitos casos, pequenas melhoras já fazem grande diferença na independência do dia a dia como a autonomia para levantar da cama, escovar os dentes, vestir a roupa, se alimentar, por exemplo”, destaca.
Quem pode se beneficiar
A neuromodulação pode ser indicada para pacientes de diferentes faixas etárias e em variadas etapas da recuperação. Apesar de a reabilitação precoce estar associada a melhores desfechos, pessoas que sofreram AVC há mais tempo também podem apresentar benefícios. A definição do tratamento é sempre individualizada e depende de avaliação médica, considerando o tipo de sequela, o tempo decorrido desde o AVC e o estado clínico do paciente.
Quando realizada por profissionais habilitados, a técnica é considerada segura, com efeitos adversos geralmente leves e temporários. No Brasil, a neuromodulação é empregada há mais de dez anos em centros especializados, seguindo protocolos alinhados às práticas internacionais e integrando tanto a assistência clínica quanto a pesquisa científica.
Para pacientes e familiares, a recomendação é manter expectativas alinhadas à realidade do tratamento. “Não se trata de cura, mas de ganhos funcionais progressivos. O objetivo é devolver autonomia, melhorar movimentos, comunicação e qualidade de vida ao longo do processo de reabilitação”, conclui Dra. Luana Amorim.
Foto: Marketing Clínica Florence

