O mês de fevereiro é marcado pela cor roxa como forma de chamar atenção para três doenças crônicas, progressivas e sem possibilidade de cura: Alzheimer, lúpus e fibromialgia. Essas condições impactam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de indivíduos vivem atualmente com Alzheimer em escala global, enquanto a fibromialgia afeta entre 2% e 4% da população mundial. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde apontam cerca de 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer, e pesquisas nacionais indicam que o lúpus atinge aproximadamente 65 mil brasileiros, sobretudo mulheres em idade fértil.
Na Bahia, o envelhecimento da população aliado ao maior reconhecimento clínico dessas doenças tem impulsionado a procura por atendimentos neurológicos e reumatológicos tanto na rede pública quanto na privada, especialmente em Salvador e na Região Metropolitana, conforme dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).
Alzheimer avança, mas tratamento evolui
Responsável pela maioria dos casos de demência no mundo, o Alzheimer é marcado pela perda gradual da memória, mudanças de comportamento e redução da autonomia. Segundo o neurologista Ricardo Alvim, coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), os progressos científicos recentes têm contribuído para uma abordagem mais eficaz da doença. “Hoje, conseguimos identificar o Alzheimer em fases mais iniciais, o que permite planejar melhor o tratamento e retardar a progressão dos sintomas. O diagnóstico precoce é decisivo para preservar funções cognitivas e qualidade de vida”, afirma.
O neurologista Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica do HMDS, destaca que o acompanhamento deve ser permanente e integrado. “O tratamento vai além da medicação. Envolve estimulação cognitiva, controle de fatores de risco, suporte familiar e acompanhamento especializado. A medicina avançou muito no entendimento dos mecanismos da doença”, explica.
Fibromialgia causa dor crônica e impacto invisível
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética generalizada e persistente, acompanhada de fadiga intensa, distúrbios do sono, alterações de memória, além de quadros de ansiedade e depressão. Mesmo sem provocar inflamações aparentes ou alterações em exames laboratoriais, a condição gera impactos significativos na funcionalidade e no bem-estar emocional dos pacientes.
De acordo com a reumatologista Kércia Carneiro, do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), o diagnóstico é baseado na avaliação clínica. “A fibromialgia não aparece em exames de imagem ou laboratoriais. O diagnóstico é feito a partir da história do paciente e da exclusão de outras doenças. Reconhecer a síndrome evita sofrimento prolongado e tratamentos inadequados”, explica.
O cuidado envolve uma abordagem multidisciplinar, com prática regular de atividade física, fisioterapia, uso de medicamentos para controle da dor e do sono, além de suporte psicológico. “Não existe cura, mas é possível controlar os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente”, destaca a especialista.
Lúpus exige acompanhamento contínuo
Ao contrário da fibromialgia, o lúpus é uma doença autoimune sistêmica, em que o próprio sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis. A condição pode comprometer diversos órgãos, como pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso central, alternando períodos de atividade da doença e remissão.
Segundo Kércia Carneiro, os sinais mais frequentes incluem cansaço excessivo, dores nas articulações, lesões cutâneas, sensibilidade à luz solar e alterações renais. “O lúpus exige acompanhamento médico contínuo. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado reduzem o risco de complicações graves e melhoram o prognóstico”, afirma.
O tratamento envolve medicamentos imunossupressores, corticosteroides e terapias específicas para controlar a atividade da doença, além de mudanças no estilo de vida, como proteção solar rigorosa e monitoramento regular da função renal.
Tratamento foca controle e qualidade de vida
Embora Alzheimer, fibromialgia e lúpus não tenham cura, os avanços na medicina permitem o controle dos sintomas, a redução de complicações e uma melhora expressiva na qualidade de vida. “O cuidado personalizado, aliado ao acompanhamento contínuo, é o principal caminho para lidar com essas doenças de forma mais humana e eficaz”, resume Kércia Carneiro.
Com o lema “Se não há cura, que haja conforto”, o Fevereiro Roxo reforça a relevância da informação, da empatia e do acesso a cuidados especializados. Para profissionais de saúde e pacientes, ampliar o debate sobre essas doenças é essencial para combater estigmas, estimular o diagnóstico precoce e fortalecer as redes de apoio às pessoas que convivem diariamente com condições crônicas e, muitas vezes, invisíveis.
Foto: Valter Andrade

