A estação mais quente do ano se despede e dá lugar a um período de transição climática importante. O outono de 2026 começa oficialmente nesta sexta-feira (20), às 11h45 (horário de Brasília), trazendo mudanças graduais no comportamento das temperaturas e das chuvas em todo o país, especialmente na Bahia.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os primeiros dias da nova estação ainda devem ser marcados por variações térmicas. Até o fim de março, a tendência é de temperaturas próximas ou ligeiramente abaixo da média em partes do Nordeste. Na Bahia, os termômetros podem registrar até 1°C abaixo da média, principalmente no centro-sul do estado, enquanto o centro-norte deve manter padrões próximos da normalidade.
Apesar desse início mais ameno em algumas áreas, a previsão para o trimestre entre abril e junho indica uma mudança. Segundo o Inmet, há pelo menos 50% de probabilidade de as temperaturas ficarem até 0,5°C acima da média climatológica no estado. Esse cenário reforça a expectativa de um outono mais quente que o habitual.
A sensação de calor e abafamento, comum no verão, ainda pode persistir em diversos momentos da estação. Isso ocorre devido à combinação entre períodos de menor cobertura de nuvens e redução gradual das chuvas em algumas regiões, o que favorece maior aquecimento ao longo do dia.
Em relação às precipitações, o comportamento será irregular no território baiano. Dados do Inmet apontam que, nos próximos dias, o centro-sul do estado pode registrar acumulados de até 50 mm de chuva, enquanto o centro-norte deve ter volumes mais baixos, abaixo de 20 mm. Já o extremo sul pode concentrar os maiores acumulados, chegando a cerca de 100 mm.
Essa distribuição desigual das chuvas também é destacada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Segundo o órgão, o outono promove uma inversão no padrão climático da Bahia: enquanto o interior começa a entrar em um período mais seco, o litoral — incluindo Salvador e a Região Metropolitana — passa a concentrar os maiores volumes de chuva do ano.
Além disso, há uma maior regularidade das precipitações nas áreas litorâneas, com aumento no número de dias chuvosos. Esse comportamento influencia diretamente a recarga de mananciais e o planejamento da gestão hídrica no estado.
As mudanças não se limitam ao clima. O outono também impacta diretamente os ecossistemas. Com dias mais curtos e noites mais longas, plantas e animais passam por adaptações naturais. Em algumas regiões, há perda parcial de folhas, enquanto espécies como orquídeas e bromélias entram em período de floração.
Na fauna, o período é de intensificação na busca por alimento e, em alguns casos, início de ciclos reprodutivos. Animais podem se deslocar mais, aumentando inclusive a presença em áreas urbanas.
Mesmo com características típicas de transição, o outono de 2026 deve manter o padrão de temperaturas elevadas em boa parte do país. Outro fator que pode influenciar esse cenário é a possibilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, o que tende a intensificar o aquecimento médio.
Diante desse contexto, especialistas reforçam a importância do monitoramento constante das condições climáticas. As variações entre regiões e os efeitos sobre os recursos naturais tornam o período estratégico tanto para a gestão ambiental quanto para o planejamento das atividades econômicas e do cotidiano da população baiana.
Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia


