O último final de semana, casado com o feriado prolongado por conta do Dia de Tiradentes, amanhã (21), deixa, até então, um alerta importante para moradores e turistas que ainda pretendem aproveitar o litoral de Salvador até o último momento da folga. Infelizmente, por mais bela e chamativa que possa ser as praias soteropolitana, nem toda as marés estão pra banho.
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) divulgou boletim de balneabilidadeapontando que 15 trechos de praias da capital estão impróprios para banho, muitos deles assiduamente frequentado pela população. O monitoramento semanal analisa a qualidade da água e identifica locais onde a contaminação pode representar risco à saúde dos frequentadores, por isso é fundamental que todos estejam alertas principalmente para proteger crianças e idosos.
Entre os pontos considerados inadequados estão trechos de São Tomé de Paripe, Tubarão, Periperi, Penha, Boa Viagem, Contorno, dois pontos do Rio Vermelho, além de Boca do Rio, Patamares, Placaford e Itapuã.
Segundo o Inema, a classificação leva em conta a presença de micro-organismos indicadores de contaminação fecal, normalmente associados ao lançamento irregular de esgoto, águas pluviais contaminadas e resíduos urbanos levados ao mar.
O dermatologista Danilo Torres explicou que o contato com água contaminada pode provocar diferentes problemas de saúde. “Entre os principais quadros estão irritações na pele, coceira, vermelhidão, alergias, foliculite e agravamento de dermatites já existentes. Em pessoas mais sensíveis, também podem ocorrer infecções bacterianas e fúngicas”, afirmou.
De acordo com o médico, o risco aumenta quando o banhista entra no mar com cortes, escoriações ou lesões abertas. “A pele funciona como barreira natural. Quando existe ferimento, essa proteção fica comprometida e facilita a entrada de agentes infecciosos”, disse.
Danilo Torres ressaltou ainda que crianças e idosos exigem atenção especial. “São grupos mais vulneráveis. Crianças costumam permanecer mais tempo na água e levar as mãos ao rosto, enquanto idosos podem ter imunidade reduzida ou doenças de base”, explicou.
Além dos problemas dermatológicos, o especialista alertou para outras possíveis consequências. “Se houver ingestão acidental da água, a pessoa pode apresentar náusea, diarreia, dor abdominal e infecções gastrointestinais. Também existem casos de irritação nos olhos e ouvidos”, acrescentou.
Na praia do Rio Vermelho, a auxiliar administrativa Mariana Santos, 31 anos, contou que costuma verificar as condições do mar antes de entrar na água. “Sempre olho quando sai o boletim. Quando vejo que está imprópria, prefiro só caminhar e ficar na areia”, disse.
Já o vendedor ambulante Roberto Almeida, 46 anos, afirmou que muitos frequentadores desconhecem o relatório técnico. “Tem muita gente que chega aqui e não sabe. Quando vê o mar bonito, entra normalmente”, relatou.
Em Itapuã, a estudante Luana Ferreira, 24 anos, afirmou que a divulgação precisa ser ampliada. “Nem todo mundo acompanha site oficial. Seria importante ter placas maiores e avisos mais visíveis”, opinou.
O dermatologista Danilo Torres orienta que, em caso de banho em local impróprio, a recomendação é tomar uma ducha com água limpa e observar possíveis sintomas nas horas seguintes. “Se aparecer coceira intensa, manchas, febre, vômito ou diarreia, o ideal é procurar atendimento médico”, afirmou.
Ele também recomenda evitar mergulhos próximos a saídas de canais, redes de drenagem e áreas com água escura ou odor forte. “Esses sinais podem indicar maior presença de matéria orgânica e contaminação”, disse.
Com o aumento do movimento nas praias durante o feriado, a orientação dos especialistas é que a população consulte os boletins atualizados de balneabilidade antes de escolher onde tomar banho de mar.
TRBN


